Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

sexta-feira, 31 de julho de 2015

TROMBETEIRA BRANCA (ÀGOGÓ)


QUENTE.
Nomes Populares: Saia-branca, Estramônio, Figueira-do-inferno, Trombeteira, Erva-do-diabo, Pomo-espinhoso.
Nomes Científicos: Datura stramonium L., Solanaceae; Datura arbórea, SOLANACEAE; Datura pseudostramonium Sieb.; Datura tatula L.; Stramonium spinosum Lam.; Stramonium vulgarium Gaertn.
Orixá: Exú
Elementos: Fogo/feminino;
Homenageia e honra as mulheres, ancestralidade feminina, faz nascer filhos e netos.
Conhecida praticamente em todas as regiões tropicais do mundo, o estramônio tem sua origem na Ásia, provavelmente no Himalaia.
Tema de um livro de Carlos Castañeda intitulado A erva do diabo, esta planta tem despertado o interesse de vários estudiosos das áreas de antropologia e etnobotânica, principalmente no que diz respeito à sua utilidade e função alucinógena em rituais indígenas. "Propriedades alucinogênicas da planta são conhecidas desde a antiguidade, sendo que em Delfos, na antiga Grécia, os sacerdotes usam a planta para provocar delírios quando consultavam oráculos" (Kissmann 1995:472-III).
Nos cultos afro-brasileiros, o estramônio é utilizado, principalmente, "em trabalhos feitos com Exú".
Seu nome nagô deriva do fato de suas flores possuírem o formato semelhante ao da sineta (agogô) utilizada nos rituais como instrumento de percussão para chamar o orixá.
Planta considerada maléfica pelos cubanos, que atribuem também a Exú e utilizam-na para envenenar ou provocar cegueira nas pessoas, sendo conhecida pelo nome lucumi de ewé ofó e ewé echenlá (Cabrera 1992:416).
As flores brancas dessa solanácea, no formato de trombeta, são semelhantes às da Datura suaveolens; porém, bem mais alvas e menores. Toda a planta possui um princípio tóxico; embora seja usada na medicina popular, nos casos de asma, é narcótica e pode levar a morte.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

FOLHA da COSTA (ÒDÚNDÚN)


FRIA. 
Nomes Populares: Saião, Folha-grossa, Paratudo, Erva-grossa.
Nomes Científicos:  Kalanchoe brasiliensis Camb. CRASSULACEAE; Kolanchoe crenata (Andr.) Haw.
Orixá: Oxalá.
Elementos: Água/feminino.
Limpa a casa e seus habitantes. Pacifica a família, traz dignidade, traz trabalho.
De origem brasileira, a folha-da-costa é encontrada, praticamente, em todo o território nacional, estando hoje aclimatada em diversas áreas tropicais de outros continentes.
Tanto no Brasil como na África, esta planta é dedicada a todos os orixás ligados ao mito da criação, conhecidos como òrisà-funfun, e, por extensão, é utilizada para os demais orixás.
Nos candomblés brasileiros é usada nos ritos de iniciação, como uma das principais plantas no àgbo, em banhos diversos, para compor oferendas feitas a Oxalá e nos sacrifícios de pombos, cágados, patos e galinhas-d'angola, quando a folha deve cobrir os olhos destes animais para que não vejam Ikú (a morte). Por gozar de grande prestígio entre os vegetais utilizados no culto, é exaltada na qualidade de folha calmante(èrò) no ritual da sasányìn, através de um dos versos de seu cântico: "ÒDÚNDÚN BÀBÁ T'ÈRÒ 'LÈ" (ÒDÚNDÚN, pai, espalhe a calma sobre a terra). Juntamente com outras ervas, também entra na mistura de plantas utilizadas para  "lavar os búzios e as vistas" dos sacerdotes que utilizam os jogos divinatórios.
Verger (1992:31) dá a fórmula de um "omieró" onde constam várias folhas,  entre elas o òdúndún, utilizado pelos babalaôs africanos para lavar os olhos antes da abrirem IGBÁDÙ (cabaça de Odú). Ainda Verger (1981:255) cita que, Ilésin de Ideta-Ilê, no culto a Obàtálá e sua mulher Yemowo, este vegetal é utilizado , em conjunto com outros, para lavar os objetos rituais, após os sacrifícios. Na África; é conhecido ainda pelo nome iorubá elétí (Verger 1995:685).
Na fitoterapia o saião é utilizado para debelar doenças pulmonares, porém o conhecimento popular afirma que, consumido em abundância, pode provocar pleurisia. A folha amassada e colocada sobre as ´reas contundidas alivia a dor, diminui o inchaço e promove uma r[ápida cicatrização, bem como, aquecida em azeite de oliva, acelera a maturação de furúnculos. Seu sumo, ingerido, combate úlceras e distúrbios estomacais.


PITANGUEIRA (ÍTÀ)


QUENTE. 
Nomes científicos: Eugenia pitanga Berg., MYRTACEAE; Eugenia uniflora L.; Eugenia indica Mich.; Eugenia micheli Lam.;Myrtus brasiliana L.; Stenocalyx michelli Berg.
Orixás: Ossaim e Oxum.
Elementos: Terra/feminino. 
Atrai dinheiro, sorte, memória ancestral, afasta as más idéias.
Planta nativa brasileira, frutífera, encontrada nas diversas regiões do país, principalmente no Nordeste, Sudeste e Sul.
As folhas da pitangueira são usadas como provedoras de prosperidade; por isso, "nos dias de cerimônia pública, chamada 'xirê dos Orixás'- a festa, a distração dos orixás -, o barracão é decorado com guirlandas de papel, nas cores do deus festejado, o chão é cuidadosamente varrido, salpicado de perfumadas folhas de pitanga..." (Verger 1995:71), costume este praticado, principalmente, nas festas de Oxum. São também "usadas em sacudimentos e banhos para atrair coisas boas e prosperas".
Em Porto Alegre, os batuqueiros costumam usar as folhas da pitangueira em banhos de purificação para os filhos de Iansã.
Existe uma crença, entre as pessoas do interior, de que " na ceia de ano-novo, deve-se ter alguns galhos de pitangueira sobre a mesa, pois só assim o ano que vai iniciar sera farto e próspero".
Popularmente, as folhas desta mirtácea são consideradas adstringentes,aromáticas, balsâmicas e anti-reumáticas, sendo utilizadas em infusões no combate às diarréias e febres infantis.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

PINHÃO ROXO (BÒTÚJE PUPA)


QUENTE. 
Nomes Populares: Pinhão-do-paraguai, batata-de-téiu, jalapão. 
Nome Científico: Jatropha gossypifolia L., EUPHORBIACEAE
Orixás: Ogum, Oxossi e Oiá.
Elementos: Fogo/feminino.
Ajuda os partos, afasta más influências,ajuda a não abortar. Chama dinheiro, bom para humor e alegria. 
tendo sua origem na América tropical, este vegetal é encontrado em quase todos os Estados brasileiros.
Dedicado a Iansã - Ìyá mesan òrun - a patrona dos Eguns, seus galhos são empregados em sacudimentos e banhos, também para pessoas de Ogum e Oxossi, nos terreiros jêje-nagôs.
Na casa-das-minas, no Maranhão, utiliza-se a folha do pinhão-roxo em banhos específicos, com finalidade de adquirir sorte e prosperidade.
Nos cultos umbandistas, no Rio de Janeiro, esta folha é usada em banhos de descarrego e pelas rezadeiras em suas benzeduras.
Na África, os iorubás empregam este vegetal com diversos fins litúrgicos, sendo conhecido naquela região pelos nomes làpálàpá pupa, lóbòtúje, olóbóntúje, ako làpá làpá (Verger 1995:685).
O suco viscoso fornecido por seus galhos é usado na cura de feridas, pois sendo excelente hemostático não-cáustico, é indolor e coagula o sangue, estancando as hemorróidas externas. 

PIMENTA-DE-MACACO (BEJEREKUN)


QUENTE.
Nomes Populares: Pindaíba, Biriba, Pimenta-de-negro, Pimenta-da-guiné.
Nome Científico: Xylopia aromatica (Lam.) Mart. Annonaceae.
Orixá: Ossaim.
Elementos: Terra/masculino.
Afasta os abiku, afasta inimigos, dá força, age na alma contra o mal, traz boa sorte.
Planta nativa da América tropical, disseminada no Brasil em áreas de matas secas e cerrados com solos arenosos.

Bejerekun é o nome dado nas comunidades religiosas jejê-nagôs, aos frutos desta e de outras espécies de annonaceaes. Seu uso é extensivo a diversos orixás, e entra na composição do àgbo, em alguns "assentamentos", para plantar o axé do terreiro, na iniciação dos filhos-de-santo e no preparo de atin (pó) com fins benéficos.
Verger (1995:736) cita-a com os nomes populares de pimenta-do-reino, malagueta-preta e pimenta-da-guiné, e atribui as denominações iorubás èèrù, èèrùnje e olórin à Xilopia aethiopica (Dunal) A. Rich., a qual não conseguimos determinar se se trata de sinonímia científica ou espécie diferente do mesmo gênero; todavia, é utilizada liturgicamente no  Sudeste africano, em receitas para combater  diversos tipos de doenças.

O fruto aromático contém óleos essenciais e piperina. É utilizado como substituto da pimenta-do-reino, porém é mais suave e não provoca úlcera nem ardência nos casos de hemorróidas. É estimulante e combate gases intestinais. As folhas e as cascas, bem como os frutos, são considerados antiinflamatório, e utilizados na forma de chá para combater dores diversas.

terça-feira, 28 de julho de 2015

FRUTOS e FOLHAS de OGUN



Manga-espada,  Obi, (em geral frutas de caroço único).

A folha do Mariwo é um de seus emblemas, pois se veste com as palmas do Igi Ope. Bebe o vinho de palma extraído da palmeira  Igi Oguro.

ÀTÒRÌ (Psidium goiava Rad. MYRTACEA ) Goiabeira.
EWÉ BONOKÓ (Sebastiania brasiliensis Muel. EUPHORBIACEAE) Capixaba.
EWÉ IDÁ ÒRÌSÀ (Sansevieria zeilanica Willd. AGAVACEAE) Espada de São Jorge.
EWÉ OJÚSÀJÚ (Petiveria alliacea L., PHYTOLACACEAE) Guiné, Tipi.
EWÉ PÈRÈGÚN (Dracaena fragans Gawl , AGAVACEAE) Nativo.
EWÉ TÈTÈ (Amaranthus viridis L., AMARANTHACEAE) Bredo - Caruru-de-porco. 
EWÚRO (Vernonia bahiensis Toledo, COMPOSITAE) Àlùmón.
ÒKIKÀM / ÈKIKÀ (Spondias mombin L., ANACARDIACEAE) Cajazeira.
ÒRÓ Ò ÌMBÓ (Mangifera indica L., ANACARDIACEAE) Mangueira.
SEGÚNSÉTÈ / PÃPÀSÁN (Portulaca oleracea L., PORTULACACEAE) Beldroega - Amor crescido.
TENÚBE (Eclipta alba Hassk, COMPOSITAE) Botão-de-S. Antonio.
ÀJÓBI FUN FUN  ou JINJIN (Lithrea molleoides Engl. ANACARDIACEAE) Aroeira branca.  

PARIPAROBA (EWÉ IYÁ)


FRIA. 
Nomes Populares: Caapeba, capeba-do-norte, Catajé, Malvaísco, Capeba-verdadeira.
Nomes Científicos: Pothomorphe umbellata (L.) Miq., Piperaceae, Piper umbellatum L.,  Pipper hilarinum – PIPERACEAE
Orixá: Iemanjá.
Elementos: Água/feminino.
Depura a alma, limpa o ambiente. Ajuda a enxergar inimigos.
Planta nativa do Brasil, que ocorre em locais úmidos e sombreados da Mata Atlântica, Nordeste e Sudeste do país.
Liturgicamente, esta "é a folha principal da nação Angola, por isso, utilizada para todos os inkices, desde Roximucumbi (Ogum) até Lembarenganga (Oxalá).
Na nação Ketu, a pariparoba, conhecida por ewé iyá (folha da mãe), é atribuída a Iemanjá, que em alguns mitos é a mãe de todos os orixás, por isso é utilizada tanto para Ogum, Oxossi e Xangô, considerados seus filhos míticos, quanto para os demais, inclusive Oxalá. É empregada nos rituais de iniciação e em banhos purificatórios. Utilizada em oferendas, serve como recipiente para depositar as iguarias oferecidas aos orixás.
Suas folhas são estimulantes e diuréticas, e com elas prepara-se chá para combater as afecções das vias urinárias. As raízes são utilizadas contra os estados febris, gastrites e debilidades orgânicas. as sementes secas e trituradas, misturadas ao óleo de linhaça, são aplicadas sobre furúnculos e abcessos para apressar o processo de maturação. É indicada, ainda, contra prisão de ventre, ingurgitamento do fígado e do baço, ulcerações sifilíticas, hemorróidas e reumatismo. 

domingo, 26 de julho de 2015

ERVA DE SANTA LUZIA III (EWÉ BÍYEMÍ)


FRIA.
Nomes Populares: Quebra-pedra, Leite-de-nossa-senhora, Leiteirinho, Saífraga, Arranca-pedras, Quebra-panela, Erva-pomba, Conami, Pimpinela branca, Saúde-da-mulher e Fura-parede. 
Nomes Científicos: Chamaesyce prostata(Alt.) Small, Euphorbiaceae; Euphorbia prostata Alt.;Euphorbia chamaesyce L. sensu Smith & Downs; Euphorbia brasiliensis – EUFORBIÁCEAS 
Orixá: Obaluaiê.
Elementos: Terra/feminino.
Abre caminhos, acalma,  abre os olhos contra o mal, o azar, a inveja. Bom para o amor.
Planta utilizada nos candomblés e na umbanda em banhos purificatórios.
Sob a sinonímia de Euphorbia prostata, esta planta é citada por Verger (1995:672) pelos nomes iorubás ewé bíyemí, ìbíyemí, ajídirù, igàndo.
Popularmente, é utilizada como medicinal para combater cálculos renais.
Quem nunca sentiu ardência ao urinar, dores na bexiga e ouviu de um conhecido “toma chá de quebra-pedra que passa”? Todavia; com o nome científico Phyllanthus niruri L., a planta quebra-pedra é uma das mais populares e comuns no território nacional. Originária da Ásia e Europa, ela é facilmente encontrada, já que costuma nascer até mesmo nos espaços entre pedras e entulhos, sendo comumente encontrada entre fendas de muros, em quintais e calçadas. Por possuir excelentes propriedades medicinais – algumas que podem ser subentendidas em seu nome – a planta acaba se tornando um conselho de geração para geração, perdurando em nossa cultura já por centenas de anos.
Propriedades: analgésica; adstringente; anti-inflamatória; antidiarreica; antiblenorrágica; anti-infecciosa; anticancerígena; diurética; desobstruente e relaxante. 
Constituintes: Encontra-se na constituição da planta quebra-pedra: ácido linoleico; astragalina; compostos fenóicos; derivados flavonicos; estradiol; esteroides; flavonoides; fisetina; glicosídeos; hipofilantina; linolênico; lignanas; nirurina; quercetina; rutina; ricinoleico; triterpenóides; triacontanal e vitamina C.
Benefícios: A principal enfermidade comumente tratada ou aliviada pela planta quebra-pedras é o caso de pedras nos rins. Os cálculos renais são eliminados após determinado período de ingestão do chá, que possui fortes propriedades diuréticas. Edemas nefríticos, infecções urinárias e cistites também são aliviadas e tratadas pelo consumo do chá de quebra-pedra. Suas fortes propriedades diuréticas propiciam uma espécie de “limpeza” no organismo, onde toxinas e bactérias são expelidas pela urina, levando consigo o que tem prejudicado o corpo, especialmente o trato urinário.
Além de solucionar problemas do sistema urinário, a planta quebra-pedra também alivia infecções respiratórias, infecções de garganta, tosses constantes, catarro e distúrbios do trato respiratório. Bactérias, vermes e fungos em geral são comumente expelidos do organismo após o consumo da planta quebra-pedra, aliviando males por eles causados como aftas, diarreia, conjuntivite, entre outros.
Distúrbio na próstata, gangrena, falta de apetite, amenorreia, gota, inchaços, ácido úrico elevado, diabetes, alergias, distúrbios no fígado e outros problemas podem ser controlados e aliviados após o consumo da planta.
Contraindicações e efeitos colaterais: O consumo do chá ou qualquer outro extrato da planta quebra-pedra é contraindicado para gestantes, lactantes e crianças.
Por ser uma planta que possui fortes substâncias, é contra indicado que seu consumo dure mais de 21 dias, podendo causar intoxicação. É válido frisar que todo e qualquer tratamento medicinal – natural ou não – deve ter acompanhamento médico adequado.
Como preparar o chá de quebra-pedra?
Separe 10g de folhas de quebra-pedra e lave bem. Deixe secar e então, numa chaleira, leve ao fogo juntamente com 1l de água filtrada. Permita ferver por 10 minutos e então desligue. Com a temperatura agradável para consumo, coe e beba. Recomenda-se a ingestão de 2 a 3 xícaras de chá de quebra-pedra por dia.


ERVA DE SANTA LUZIA II (FALÁKALÁ)


QUENTE.
Nomes Populares: Corredeira, Erva-andorinha, Erva-de-cobre, Erva-de-sangue, Burra-leiteira, Alcanjoeira.
Nomes Científicos: Chamaesyce hirta (L.) Millsp., Euphorbiaceae; Euphorbia hirta L.; Euphorbia opthalmica Pers.; Euphorbia procumbens D.C.; Euphorbia gemella Lag.; Euphorbia capitala Lamk.
Orixá: Exú.
Elementos: Fogo/masculino.
Abre caminhos, acalma,  abre os olhos contra o mal, o azar, a inveja. Bom para o amor.
Nativa da América tropical, esta espécie ocorre desde o México até o Sul do Brasil, onde é encontrada em todo território nacional. Sob a denominação de corredeira, são encontradas várias ervas daninhas e invasoras; esta porém é a mais freqüentemente citada como a "verdadeira corredeira".
Esta planta é utilizada, nos candomblés brasileiros, no "preparo de pó, com a finalidade de afastar inimigos dos caminhos e pessoas indesejáveis, e é indispensável quando assenta-se Exú".
Na medicina popular é usada para combater inflamações oculares; entretanto, sua seiva é considerada perigosa por alguns que desaconselham sua utilização.

sábado, 25 de julho de 2015

ERVA DE SANTA LUZIA I (OJÚORÓ)


FRIA.
Nomes Populares: Alface-d'água, Flor-d'água, Mururé, Pajé, Lentilha-d'água
Nomes Científicos: Pistia stratiotes L., Araceae; Pistia occidentalis Blume.
Orixá: Oxum.
Elementos: Água/feminino.
Abre caminhos, acalma,  abre os olhos contra o mal, o azar, a inveja. Bom para o amor.
Nativa de regiões tropicais e subtropicais das Américas, da África e da Ásia, a alface-d'água é planta aquática que medra na superfície dos rios,  lagos e represas.
De grande importância para os babalaôs, esta é uma das ervas que compôem o amassi utilizado para lavar os cauris que são usados nos jogos divinatórios, e os olhos do "olowo" num ritual que simboliza o surgimento da visão extra sensorial. Nesta mistura, o ojúoró é associado a, pelo menos, sete tipos de vegetais diferentes. Entra nos rituais de iniciação dos filhos de Oxum, no àgbo e em banhos de purificação, sendo também utilizado para outros "orixás das águas", como Iemanjá, Nanã e Oiá.
Esta erva é muito utilizada na medicina caseira. Cruz(1982:416) afirma que " as folhas, depois de contusas, têm a propriedade de fazer amadurecer os abscessos dentro do mais curto espaço de tempo. A infusão das folhas serve para combater a hematúria, hemoptises, asma e moléstias da pele". Todavia, a população do interior costuma utilizar o sumo da alface-d'água para debelar inflamações oculares.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

PIMENTA MALAGUETA (ÁTÁ)


QUENTE. 
Nomes Científicos: Capsicum frutescens L., Solanaceae; Capsicum brasillanum Clus.
Orixá: Exú.
Elementos: Fogo/feminino.
Estimula o poder da palavra, afasta inimigos, dá força, age na alma contra o mal.
Florescendo em todo o Brasil, onde é consumida em abundância, principalmentenos Estados do Norte e Nordeste, a pimenta-malagueta tem sua origem na América do Sul; todavia, na atualidade, é cultivada no Japão, Índia e África.
Ata ou ataré, para os nagôs, são nomes genéricos de vários tipos de pimentas das famílias das solanáceas e das zingiberáceas, comumente utilizadas para "esquentar" o orixá ou para trabalhos de feitiçaria que causem brigas, confusões e "queimações", atribuídos a Exú. Na cozinha baiana, a pimenta-malagueta é consumida em larga escala, nos pratos típicos como o acarajé, vatapá e moquecas, onde é tradicional o uso do termo "quente" para designar um alimento apimentado. Acreditamos que sua característica gún (excitação), utilizada no sistema classificatório dos vegetais (Barros199:104), originou a designação "quente" do vocabulário popular baiano.
Na santeria cubana, a pimenta-malagueta é atribuída também a Ogum e Ossaim. Todavia, na África, os iorubás a utilizam para trabalhos de magia, e dão-lhe os nomes de ata olóbènkàn, ata eye e ata sísebè (Verger 1995:644).
Carminativa e excitante do aparelho digestivo, as folhas da pimenta-malagueta, possuem propriedades terapêuticas que combatem inflamações na garganta,angina, uretrite, blenorragia, congestão cerebral e meningites. São usadas, ainda, para "amadurecer furúnculos e evitar queda de cabelo". O consumo de seus frutos é contra-indicado nos casos de gastrite, úlceras e hemorróidas.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

PIMENTA da COSTA (ÁTÁARÉ)


QUENTE. 
Nome Científico: Aframomum melegueta (Roscoe) K. Schum, Zingiberaceae.
Orixá: Ossaim.
Elementos: Fogo/masculino.
Estimula o poder da palavra, afasta inimigos, dá força, age na alma contra o mal.
Planta da família das anonáceas, originária do continente africano, cultivada no Nordeste brasileiro.
Embora atribuída a Exú, este tipo de pimenta tem várias utilidades nos rituais dos orixás, sendo utilizado no bori, nos assentamentos de alguns orixás, nos rituais de Ossaim e para fazer pós e ebós. É um vegetal ambiguo, pois presta-se também a trabalhos maléficos. Todavia, tem destaque no culto, uma vez que é prestigiado no ritual da sassanhe com um korin ewé próprio:
"ÈTA OWO  ÈTA OMO ÁTÁARÉ KÚ GBOGBO GB'ÉRÙ RE O"
"Três é dinheiro, três é filho - Átáaré leve os carregos de morte."


É comumente mastigada pelos sacerdotes quando dirigem suas súplicas e desejos aos orixás, pois acreditam que tem o poder de purificar o hálito.
Na África é também conhecida entre os iorubás pelos nomes òbùró, ata, ata ire,atayé, atayé isa, atayé rere e etalúyà (Verger 1995:628).

terça-feira, 21 de julho de 2015

NATIVO (PÈRÈGÚN KÒ e PÈRÈGÚN FUNFUN)


QUENTE.
Nomes populares: Dracaena-listrada, Coqueiro-de-Vênus-Nativo, Dracena-verde-e-amarela. 
Nome Científico: Dracaena fragrans var. Massangeana L., Liliaceae.
Orixá: Oxumarê, Ossaim e Logun Edé.
Elementos: Terra/masculino.
Forte, atrai os ancestrais, ajuda a lembrar, a saber agir. Afasta inimigos.
Esta variedade de dracena, também de origem africana, distingue-se da anterior por conter listras amarelas nos contornos de suas folhas.
Vegetal utilizado no ritual de iniciação de Oxumarê e banhos purificatórios. Todavia, algumas pessoas dedicam-na, também, a Logun Edé, atribuíndo-lhe, ainda, o nome de pèrègún funfun.
Nas oferendas de frutos a Ossaim, o cesto que serve como recipiente pode ter suas bordas ornamentada com estas folhas.
Medicinalmente, possui as mesmas propriedades da Dracaena fragrans.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

NATIVO (PÈRÈGÚN)


QUENTE.
Nomes populares: Pau-d'água, Dracena, Coqueiro de Vênus. 
Nome Científico: Dracaena fragrans (L.) Ker Gawl., Liliaceae.
Orixá: Ogum.
Elementos: Terra/masculino.
Forte, atrai os ancestrais, ajuda a lembrar, a saber agir. Afasta inimigos.
De origem africana e muito difundida no Brasil, esta é, provavelmente, a planta mais popular nos candomblés afro-brasileiros. sua utilização é variada, entra no àgbo (pois é uma das folhas fixas), banhos para diversos fins, sacudimentos e diversos rituais.
Na iniciação dos filhos-de-santo, a folha do pèrègún é usada como sendo a primeira na composição do àgbo, sendo indispensável, uma vez que representa Ogum na "função de Asiwajú", aquele que toma a vanguarda, aquele que vai na frente dos outros, o que precede..." (Santos 1976:93).
Ao término dos dezessete dias em que transcorre a iniciação, é promovida uma festa em que o iniciado incorporará seu orixá, que dará seu nome publicamente. No dia seguinte ao decorrer da festa do nome do Orixá, pratica-se o ritual do panã, que consiste em reintegrar o iniciado à vida cotidiana, através da dramatização dos afazeres do dia-a-dia. Ao final desse ritual, uma folha de pèrègún é colocada nas mãos do Iaô e, sobre ela, é depositada uma brasa incandescente, pra ser, em seguida, resfriada com água de uma quartinha de barro. Neste ritual estão simbolizados os quatro elementos da natureza, o fogo contido na brasa, a água da quartinha, a terra representada pela folha de pèrègún, e a fumaça gerada retratando o ar.

Com freqüência, esta agavácea é utilizada em cercas vivas que circundam a casa de Ogum, ou ao seu pé são colocados os objetos rituais deste orixá. Podem, ainda, ser empunhadas pelos orixás durante as danças em substituição aos objetos simbólicos tradicionalmente utilizados, que  representam armas.
Na sacralização dos objetos rituais de Ogum, Oxossi, Ossaim ou Omolú, as as representações feitas em ferro são, também colocadas em fogo para que fiquem incandescentes e, em seguida, retiradas e resfriadas com água sobre folhas de pèrègún.
Utilizada, também, como planta ornamental, a dracena possui propriedades medicinais, que, macerada, sob a forma de banho ou em compressa, combate o reumatismo.

domingo, 19 de julho de 2015

MANJERONA


FRIA.
Nome Científico: Origanum majorana L., LABIATAE
Orixá: Xangô.
Elementos: terra/feminino. 
Pacifíca, acalma, faz a pessoa pensar em seus defeitos e tentar melhorar. Privilegia os velhos. Bom para ter filhos.
Nativa do Nordeste africano, Oriente Médio e Índia, a manjerona tornou-se um condimento conhecido mundialmente e cultivado em diversas regiões da Europa e das Américas.
Reza a lenda que o filho de um Rei do Chipre, o príncipe Amáraco, era um rapaz extremamente dedicado à arte de criar perfumes e fragrâncias. Certa vez criou um perfume único, tão suave e agradável que ficou totalmente maravilhado com sua criação, no entanto, ao carregar o perfume num jarro, deixou-o cair ao chão e quebrar-se, perdendo o precioso perfume. A tristeza tomou conta do príncipe, que definhou até morrer. Nos céus, os deuses se apiedaram dele e fizeram de seu corpo sem vida uma planta muito aromática, chamada manjerona, e conhecida também como amáraco.  A bela história pode não ser verdadeira, mas a planta existe e é, de fato, muito aromática, além de ser rica em propriedades medicinais e benefícios. Seu nome é muito confundido com manjericão, devido à similaridade, e sua aparência lembra o orégano, fazendo a manjerona não ser tão conhecida como deveria.
Planta aromática utilizada nos candomblés em banhos purificatórios para os filhos de Xangô e "em defumadores para atrair boa sorte aos filhos-de-santo".
Segundo Cabrera (1992:488), das folhas recolhidas e postas a secar , juntamente com um coração de andorinha, prepara-se um pó que serve para fins benéficos. Acredita-se, ainda, que quando a manjerona cresce em abundância é sinal de prosperidade, mas, se murchar ou morrer, é presságio de ruína, e que um ramo de manjerona levado no bolso traz boa sorte.
Conhecida como condimento usado em quase todo o mundo, a manjerona possui também propriedades terapêuticas que estimulam o apetite, ajudam na digestão, combatem cólicas e ainda são úteis nos casos de debilidade do estômago, dispepsia atônica e flatulência. "Toda a planta é excitante. Contendo um óleo essencial, das propriedades aromáticas resultam as virtudes afrodisíacas que lhe são atribuídas. Tempero da cozinha erótica. Infusão estimulante. Erva propiciatória das bodas" (Sangirardi Júnior 1981:206)
Como utilizar a manjerona
Para fazer o chá de manjerona, basta colocar numa chaleira ao fogo com 1 litro de água, 2 colheres de sopa da erva. Deixe ferver por 10 minutos, então tampe e desligue. Quando o chá estiver razoavelmente morno, coe, coloque açúcar a gosto e estará pronto para o consumo. Para que a manjerona surta os benefícios esperados, procure consumir o chá de 2 a 3 vezes por dia.
Atenção
Salientamos que a erva é contraindicada em casos de gestação e lactação. Antes de iniciar qualquer tratamento, natural ou não, busque sempre a orientação de um médico de confiança.

MANGUEIRA (ÒRÓ ÒYÌNBÓ)


QUENTE. 
Nome Popular: Mangueira.
Nome Científico: Mangifera indica L., ANACARDIACEAE
Orixás: Ogum e Iroko.
Elementos: Terra/masculino.
Forte, ajuda a ganhar dinheiro, a ter intuições, desencadeia a memória ancestral.
Nativa da Índia, foi introduzida no Brasil onde aclimatou-se facilmente, sendo hoje encontrada em condição subespontânea ou cultivada em todo território nacional.
Nos dias de festas é costume espalhar folhas de determinado vegetal nos salões de candomblés, podendo ser as da mangueira, pois acredita-se que estas tenham poderes para "evitar demandas provocadas por elemento mal- intencionado". Emprega-se, também, em sacudimentos que acompanham ebós para melhorar a sorte das pessoas; todavia, os frutos são evitados pelos filhos de Ogum na nação Ketu, pois é um interdito para este orixá. Nos terreiros que cultuam Iroko e não possuem uma gameleira, que é a árvore preferencialmente consagrada a este orixá, a mangueira pode ser utilizada como substituta. Seus frutos entram nas oferendas das festas das Iabás, que ocorre no dia 8 de dezembro, dedicado a Oxum.
No culto jêje-mina, no Maranhão, é usada no banho das noviças. Nas casas-de-nagô no Pará, é atribuída a Oxossi, e nos candomblés de Angola e terreiros de umbanda, entra no preparo de banhos purificatórios, rituais de iniciação, lavagem de contas e de cabeça.
Em Cuba, a mangueira é conhecida entre os lucumis pelos nomes oro, eléso e orun béke, sendo atribuíada a Oxum e utilizada para todos os orixás. Existe uma crença entre os "santeiros" de que, quando a mangueira da frutos em demasia, é presságio de miséria (Cabrera 1992:484)
Utilizada tanto como alimento quanto em liturgia na África, este vegetal possui os nomes iorubás mángòrò e séri  (Verger 1995:693).
Terapeuticamente, as folhas da mangueira combatem a bronquite asmática, estomatite, gengivite e contusões. O chá do lenho da árvore serve para debelar leucorréia e diarréia. O fruto é rico em caroteno; todavia, é contar-indicado para pessoas com problemas renais. As folhas e os frutos, quando arrancados, liberam um líquido que, em algumas pessoas, provoca urticária, sendo combatida com a infusão das próprias folhas.

sábado, 18 de julho de 2015

MANJERICÃO-ROXO (EFÍNRÍN PUPA)


FRIA. 
Nomes Populares: Manjericão-de-folha-miúda, Manjericão.
Nomes Científicos: Ocimum basilicum purpureum Hort., LABIATAE
Orixás: Oxalá (novo) e Airá.
Elementos: Água/feminino.
Acalma o fundo da alma. Traz como que um banho refrescante e tranqüilo para a alma. Amor, dinheiro, sorte.
De origem asiática, o manjericão-roxo é uma espécie vegetal bem aclimatada nas Américas, sendo cultivada em diversas regiões brasileiras.
Nas casas de candomblé, utiliza-se este vegetal extensivamente, pois, por pertencer a Oxalá, presta-se para banhos de purificação dos filhos doa demais orixás.
O manjericão-roxo é usado na culinária doméstica do mesmo modo que o manjericão-comum. Na medicina popular as duas espécies possuem as mesmas propriedades curativas.
TIPOS DE MANJERICÃO

MANJERICÃO-COMUM (EFÍNRÍN KÉKÉRÉ)


FRIA. 
Nomes Populares: Manjericão-de-folha-miúda, Manjericão.
Nomes Científicos: Ocimum minimum L., LABIATAE
Orixás: Oxalá, Iemanjá e Oxum.
Elementos: Água/feminino.
Acalma o fundo da alma. Traz como que um banho refrescante e tranqüilo para a alma. Amor, dinheiro, sorte.
De origem asiática, esta variedade de manjericão que possui folhas bem menores que os demais é muito popular no Brasil.
Nos cultos jejê-nagôs, suas folhas são usadas em banhos para todos os orixás, nos rituais iniciáticos, àgbo e em banhos purificatórios. As folhas secas são empregadas em defumadores. Pulverizadas e misturadas a outras, são utilizadas como "proteção contra feitiços, inveja e mau-olhado". Na umbanda, o manjericão é utilizado em banhos " para lavar a cabeça e guias dos filhos-de-santo".
toda a planta é aromática, tem as mesmas propriedades do manjericão-de-folha-larga e serve como tempero para carne, massas e peixes.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

MANJERICÃO (EFÍNRÍN)


FRIA. 
Nomes Populares: Manjericão-de-folha-larga, Manjericão-grande, Manjericão-de-molho.
Nomes Científicos: Ocimum basilicum L., LABIATAE
Orixás: Iemanjá e Oxum.
Elementos: Água/feminino.
Acalma o fundo da alma. Traz como que um banho refrescante e tranqüilo para a alma. Amor, dinheiro, sorte.
Originária da Ásia e da África, esta espécie vegetal encontra-se disseminada na Europa e nas Américas. No Brasil. é planta muito popular, cultivada ou encontrada em condição espontânea em todo país.
Suas folhas são usadas na Casa das Minas, culto jejê-mina no Maranhão, em uma mistura chamada de "banho de Natal", que combina diversas plantas aromáticas consideradas benéficas e atrativas de boa sorte (Pereira 1979:166).
Nos candomblés de origem jejê-nagô, o manjericão-de-folha-larga é, por alguns, associado a Iemanjá, por outros a Oxum, tendo até mesmo que o atribua a Exú.
Os africanos dão a esta folha os nomes efínrín ata, efírín wéwé, efínrín àjà, efínrín marúgbósányán e arùntantan (Verger 1995:701), e a utilizam em fórmulas litúrgicas e medicinais contra a varíola, vertigens e doenças de crianças (Verger 1995:181,197,229)
Existem várias espécies de manjericão, todas mais ou menos com as mesmas propriedades, indicadas, principalmente, no combate a gases e cólicas intestinais, diarréias, afecções das vias urinárias e respiratórias, amigdalite, faringites, gengivites, estomatites e aftas; todavia, é comum o seu uso como tempero na culinária.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

MARACUJÁ (KANKÌNSE)


QUENTE. 
Nomes Populares: Maracujá-comum, Maracujá-de-garopa, Flor-da-paixão.
Nomes Científicos:Passiflora edulis Sims.,PASSIFLORACEAE.
Orixás: Oxumarê, Oiá e Ibeji.
Elementos: Ar/feminino.
Calma, tranqüilidade, limpa o mal. Desencadeia a memória ancestral. Ajuda a obter consolo. 
As diversas espécies de passiflora estão disseminadas pelo Brasil, medrando desde a Amazônia ao Sul do país. São nativas da América tropical e ocorrem também na África. Das muitas espécies existentes, provavelmente a mais popular é a Passiflora edulis Slims (maracujá-comum), de folhas trifoliadas, flores brancas e frutos arredondados e amarelos quando maduros; todavia, a Passiflora alata Dryand., segundo Correia Jr. & Ming & Scheffer (1991:108), é a única que consta da farmacopéia brasileira.
Nos candomblés, esta trepadeira é utilizada em banhos purificatórios e no àgbo dos filhos de Oiá, tendo por finalidade "acalmar os filhos-de-santo", uma vez que às pessoas dedicadas a este orixá é atribuído um temperamento muito agitado.
Verger (1995:704) acusa a existência da espécie Passiflora foetida L., a qual os africanos denominam de abíirumpo e utilizam com fins ritualísticos.
Na fitoterapia, o maracujá é empregado para acalmar as excitações mentais acompanhadas de insônia devido às suas propriedades sedativas e hipnóticas. Na forma de chá é diurética, desobstruinte, e indicado contra tumor e inflamação de hemorróidas em "banhos de assento".

quarta-feira, 15 de julho de 2015

MAMONA VERMELHA (EWÉ LÁRÀ PUPA)


QUENTE.
Nome Científico: Ricinus sanguineus Hoot., Euphorbiaceae
Orixás: Ossaim e Egum.
Elementos: Fogo/feminino.
A mamona vermelha, segundo alguns autores, é uma variedade da espécie Ricinus communis L.
Nos cultos jejê-nagôs brasileiros, ela tem utilidade diferenciada em virtude de sua cor avermelhada. É indicada para forrar o chão da casa-dos-eguns, por ocasião da morte de um iniciado. sobre elas são colocados os assentamentos que pertenceram ao morto para serem despachados ao final do ritual do axexé, cerimônia mortuária. Acredita-se que, "se alguém, por maldade, bater com o talo de uma folha em um iniciado, o seu orixá se afasta", mostrando a incompatibilidade entre os orixás e os eguns, espírito dos mortos.
Na fitoterapia, a mamona vermelha possui as mesmas propriedades da mamona comum.

MAMONA-BRANCA (EWÉ LÁRÀ FUNFUN)


QUENTE.
Nomes Populares: Mamona, Carrapateiro, Palma-de-Cristo, mamoneira.
Nomes Científicos: Ricinus communis L., EUPHORBIACEAE; Ricinus digitatus Nor.; Ricinus hibridus Bess.; Ricinus leococarpus Bert.
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino.
Limpa tudo, clareia tudo. Muito útil contra fofocas, gente que fala mal, pessoas de má índole.
Nos compêndios específicos de botânica, dentro do gênero ricinus, a única espécie descrita é a Ricinus communis, porém, ocorrem diversas variedades com características pouco diferenciadas. Conhecida na Índia, desde tempos remotos, é considerada por alguns autores nativa da Ásia; todavia, Kissmann (1992:665-II) afirma que esta planta é provavelmente de origem africana e que era encontrada no antigo Egito. Ocorre em abundância em todo território nacional, medrando, espontaneamente, nos principais Estados do Nordeste, Sudeste e Sul.
A folha da mamona é empregada nas casas de candomblé, servindo de recipiente para as comidas oferecidas no Sassanhe, como no Olubajé, ritual coletivo de saúde dedicado a Obaluaiê.
Pelos nomes iorubás de lárà, lárà pupa, ilárà, ilárun, làpálàpá adétè e arà pupa (Verger 1995:714), esta folha é conhecida no continente africano.
Como remédio, a água das folhas cozidas com sal serve para banhar os pés quando inchados. Das sementes extrai-se o óleo de rícino, que é purgativo e indicado contra a prisão de ventre. Embora as sementes sejam tóxicas, pois, se ingeridas, podem provocar a morte, o óleo de rícino não é venenoso. As toxinas ficam retidas no resíduo das sementes quando o óleo é extraído.

terça-feira, 14 de julho de 2015

MARIANINHA (GÒDÒGBÓDÒ)


FRIA. 
Nomes Populares: Trapoeraba, Olhos-de Santa-Luzia, Marianinha (BA), Capim-gomoso, Maria-mole.
Nomes Científicos:Commelina diffusa Burm. f., Commelinaceae; Commelina  communis Benth.; Commelina aquatica J.K.Morton; Commelina agraria Kunth; Commelina longicaulis Jacq.
Orixás: Nanã, Omolú e Exú.
Elementos: Terra/masculino.
Amor, felicidade, fartura. Contra males da alimentação e da  canseira.
Planta nativa da América do Sul, dispersa em várias regiões tropicais e sub-tropicais do globo, apontada como invasora na Ásia e África tropical.
Tanto no Brasil quanto no continente africano, a Commelina diffusa é uma erva com utilidade litúrgica. Nos candomblés brasileiros, é usada em banhos para os orixás, quando colhidas em matas nas primeiras horas da manhã, e em trabalhos com Exú, quando colhidas sob sol quente em beiras de ruas e estradas.
Com a mesma finalidade, no Brasil, podemos citar a Commelina erecta L., (= Commelina elegans H.B.K. ou Commelina deficiens Hook.), que na África é conhecida pelos nomes ìlèkè òpòlò, itó ìpére, itópa ire, olójòngbòdú e olájàngbàlú (Verger 1995:654), e em Cuba tem as denominações lucumis ewe karodo, cotonembo, contolo e mini, sendo dedicada a Oxalá e a Iemanjá (o branco), e a Xangô (o lilás),servindo para lavar os "assentos" dos orixás femininos, lavar os olhos e para banhos benéficos (Cabrera 1992:365). Ainda na África, os nomes gòdògbò odò, àtòjò àtèrùn, omoníròganrògan são atribuídos à Commelina diffusa (Verger 1995:654).

Essa planta tem diversas utilidades na fitoterapia, e uma delas é a de combater afecções das vias urinárias. O cozimento das folhas é usado contra reumatismo, e o líquido que é extraído do fruto é utilizado, no interior, no combate às inflamações oculares. Suas folhas esmagadas são aplicadas sobre as tumefações produzidas por picadas de inseto.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

MÃE BOA (ÌYÁBEYÌN)



FRIA. 
Nome científico: Ruellia  gemminiflora H.B.K., ACANTHACEAE
Orixás: Nanã, Oxum e Iemanjá.
Elementos: Água/feminino. 
Pacifica a família. Traz calma, filhos, clientes.
Distribuída em quase toda América do sul, no Brasil é encontrada, principalmente, nos Estados do cento-oeste (cerrados e pântanos), nordeste e Sudeste.
Suas folhas maceradas são utilizadas nos rituais de iniciação  e banhos de purificação dos filhos de Nanã, Iemanjá e Oxum.
Planta medicinal com alto teor de proteínas. Seu rizoma possui quantidade de glicose e frutose mais elevado do que muitas plantas cultivadas para fins alimentares. 

LEVANTE MIÚDA (ERÉ TUNTÚN)


FRIA.
Nome Científico: Mentha citrata L., Labiatae
Orixás: Oxum e Iemanjá.
Elementos : Água/feminino. 
Bom para filhos. Contra ansiedade e medo.
Planta aromática do gênero mentha, encontrada espontaneamente ou cultivada nos lugares úmidos em áreas tropicais.
De cheiro agradável, a levante miúda é usada nos rituais jejê-nagôs sempre em combinação com outras ervas, tanto em banhos purificatórios, quanto em "defumadores para atrair coisas boas". Por ser uma folha utilizada para diversos orixás, "muitos pais-de-santo acham que ela pertence a Oxalá"; todavia, é com mais freqüência atribuída a Oxum, o que a torna "uma planta de uso não aconselhável para as pessoas de Obá", pois, na África, estas Iabás são representadas por dois rios que, quando se encontram, as águas ficam tempestuosas, fenômeno liago ao mito em que Oxum e Obá guerrearam pelo amor de Xangô. O eré tuntún é indicado , ainda, para compor o amassi empregado na preparação dos búzios usados para fazer previsões.

domingo, 12 de julho de 2015

MANACÁ


FRIA.
Nomes populares: Aguaceiro, Jasmim-do-Paraguai, Manacá-cheiroso, Mercúrio-do-pobre.
Nomes Científicos: Brunfelsia uniflora (Pohl) D.Don., Solanaceae; Brunfelsia australis Benth.; Brunfelsia hopeana Benth.; Brunfelsia latifolia Pohl.
Orixá: Nanã.
Elementos: Terra/feminino.
Amor, paciência, boa vontade, sorte, paz na casa, ajunta os casais separados. 
Tendo sua origem no Brasil e no Peru, o manacá é encontrado com freqüencia em todo território nacional, servindo como planta ornamental devido a beleza de suas flores, que vão do barnco ao lilás em uma mesma planta.
As folhas do manacá são utilizadas em banhos purificatórios para os filhos de Nanã e servem para sacudimentos. Os galhos com flores que embelezam os terreiros nos dias de festas de Nanã servem para purificar o ambiente.
Possuindo propriedades terapêuticas, o manacá é utilizado como anti-reumático, anti-sifilítico, abortivo, depurativo, purgativo, diurético e emenagogo.

JASMIM-DA-ITÁLIA


FRIA.
Nomes Populares: Junquilho.
Nomes Científicos: Isotoma longiflora (Willd.) Prest., Campanulaceae; Hippobroma longifloraDon.; Lobelia longiflora L.
Orixás: Oxalá e Oxum.
Elementos: Água/masculino.
Amor, paciência, boa vontade, sorte, paz na casa, ajunta os casais separados. 
Originário da América tropical, o jasmim-da-itália é encontrado no Brasil, cultivado como planta ornamental ou em estado espontâneo em lugares úmidos e sombreados.
Suas folhas são utilizadas nos ritos de iniciação, àgbo dos filhos de Oxum "em banhos de prosperidade para todos os filhos-de-santo".
Como planta medicinal, indicam-se suas raízes nos tratamentos de hérnias. As folhas, maceradas e aplicadas sobre a pele, combatem o vitiligo. 

JASMIM-MANGA (ÍTÈTÈ)


FRIA.
Nome Científico: Plumeria drastica M., Apacynaceae
Orixá: Oxossi.
Elementos: Terra/masculino.
Amor, paciência, boa vontade, sorte, paz na casa, ajunta os casais separados. 
Nativa das Américas, esta planta é cultivada para fins ornamentais, e muito utilizada em jardins, praças e passeios públicos.
Suas folhas são usadas nos candomblés, em rituais de iniciação, obrigações periódicas e banhos purificatórios para os filhos de Oxossi.
Algumas obras de fitoterapia citam essa planta como sendo boa no combaTE à febre intermitente, obstrução das víceras abdominais e icterícia, porém, por possuir um suco drástico, deve ser usada em doses homeopáticas, caso contrário ela se torna venenosa.