Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

domingo, 25 de outubro de 2015

JURUBEBA (KISIKISI, IGBÁ IGÚN, IGBÁ ÀJÀ)


QUENTE.
Nomes Científicos: Solanum paniculatum L., Solanaceae; Solanum jubeba Vell.; Solanum manoelli Moricand.
Orixás: Oxossi e Ossaim.
Elementos: Terra/masculino.
Planta nativa das regiões norte e nordeste do Brasil, ocorre das Guianas até São Paulo; considerada invasora, medra em abundância também no Sudeste.
Esta planta, nas casas de candomblé, é conhecida por vários nomes nagôs, entre eles igbá igún e igbá àjà (Barros 1993:140). Considerada uma planta gún (excitação), está ligada aos orixás das florestas e entra na composição do àgbo e banhos purificatórios dos iniciados.
Medrando no continente africano, a jurubeba, classificada como Solanum trovum Sw., recebe dos iorubas os nomes ikàn wéwé, ikan igún e ìgbá yìnrìn elégún, e utilizam-na liturgicamente em “trabalho para fazer a chuva parar” (Verger 1995:722,397).
O fruto da jurubeba é por demais empregado medicinalmente, em “garrafadas”, pela população da zona rural, para combater as debilidades físicas. É útil, ainda, nos casos de icterícias e moléstias do fígado, rins e baço.


domingo, 18 de outubro de 2015

JENIPAPEIRO (BUJÈ)


QUENTE.
Nomes Científicos: Genipa americana L., Rubiaceae; Genipa americana Vell.; Genipa brasiliensis Mart.; Genipa caruto H.B.K.; Genipa rumilis Vell.; Gardenia genipa Sw.
Orixá: Obaluaiê.
Elementos: Terra/masculino.
Encontrado na América tropical, o jenipapeiro é nativo do Brasil e ocorre em áreas florestais próximas a várzeas e charcos em todo o território nacional.
No òbe-ìfárí (na raspagem de cabeça por ocasião da iniciação) dos filhos de Obaluaiê, a folha do jenipapeiro é considerada indispensável, pois ela é uma das principais no orò – fundamentos – deste orixá, principalmente no àgbo.
O fruto verde,  quando em contato com a pele, torna-a escura, fato que deu origem a um história do Odu Ojonilé, signo do oráculo de Ifá, muito conhecida nos cultos jejê-nagôs no Brasil. Este mito relata sobre “um homem que estava prestes a ser visitado pela morte. Sentindo a aproximação dessa visita, ele foi consultar Ifá, onde foi aconselhado a fazer um ebó com peixe assado, preá e jenipapos verdes. O peixe assado e o preá ele tinha que levar como oferenda; porém, os jenipapos verdes ele deveria usar para passar em todo o corpo, o que lhe deu uma cor escura. Dias depois, a morte foi visita-lo, mas, quando chegou em sua casa, não o reconheceu, pois tinha que levar um homem claro e não aquele mulato que a atendera. Desse modo a morte foi  embora sem o homem que procurava e, durante muito tempo, ele viveu sem muitos infortúnios.” Na prática, as folhas do jenipapeiro são utilizadas em rituais para “retirar a mão do pai ou mãe-de-santo falecidos”.
Em Cuba, essa árvore é atribuída a Iemanjá.
O fruto do jenipapeiro possui propriedades digestivas, tônicas, diuréticas e afrodisíacas. A casca do tronco da árvore é empregada na cura de anemias e do ingurgitamento do fígado, baço e diversas outras moléstias. Seu licor é considerado excelente digestivo.


domingo, 11 de outubro de 2015

ESPELINA-FALSA (ÀFÓN)


QUENTE.
Nomes Científicos: Clitoria gulanensis Benth., Leguminosae; Crotolaria guyanensis Aubl.; Crotolaria longifólia Lam.; Neurocarpum angustifolium Kunth.; Neurocarpum longifolium Mart.
Orixás: Obaluaiê e Nanã.
Elementos: Terra/masculino.
Planta com ocorrência das Guianas ao Estado de São Paulo, encontrada nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso.
Suas folhas são utilizadas na iniciação dos filhos de Obaluaiê e Nanã, servindo, também, para Oxumarê em banhos purificatórios.

Usa-se a infusão da raiz e o pó feito das sementes desta planta na fitoterapia, como diurética, purgativa, e para combater a cistite e uretrite.

XIQUE-XIQUE (SÉRE OBA e ISÍN)


QUENTE.
Nomes Populares: Cascaveleira, Guizo-de-cascavel, Crotolária, Chocoalho, Maraca.
Nome Científico: Crotalaria retusa L., Fabaceae (Leguminosae)
Orixá: Xangô.
Elementos: Fogo/feminino.
Planta pantropical, nativa da Ásia, encontrada em diversos continentes e vastamente dispersa no território nacional.
Essa leguminosa é conhecida no candomblé brasileiro pelo nome nagô isín.
Seu fruto é uma fava que, nas “casas-de-santo”, é chamada de sékéré, porque quando seca, produz, ao balançar, um som parecido com o sere (objeto metálico em forma de cabaça com cabo, utilizado no culto a Xangô). Segundo alguns, é utilizada em oferendas ao Odu Obará, pra pedir prosperidade4 na vida. As folhas, “consideradas quentes, são usadas em banhos, juntamente com outras folhas frias para equilibrar a mistura”.
Na África, recebe os nomes àwíyán e òdòdó (Verger 1995:657), sendo conhecida  dos sacerdotes do culto de Ifá.

Outra espécie que ocorre no Brasil, e que tem a mesma finalidade litúrgica, é a C. pallida Ait. (=C. mucronata Desv. E C. striata DC.), que, embora os frutos sejam parecidos, as folhas divergem em seus formatos.  

sábado, 10 de outubro de 2015

LÍNGUA-DE-GALINHA (ÀLÚPÁYÍDÁ)


QUENTE.
Nomes Populares: Guaxima, Língua-de-tucano, Guanxuma-fina e Malva-língua-de-tucano.
Nomes Científicos: Sida linifolia Cav., Malvaceae; Sida angustíssima Juss. Ex Cav.; Sida campi Vell.; Sida longifólia Brandeg.; Sida linearifolia Schum. & Thonn.
Orixás: Oxumarê e Nanã.
Elementos: Terra/masculino.
Planta anual que floresce nos meses de setembro a abril, e reproduz-se, apenas, por sementes. Nativa da América do Sul é encontrada em todas as regiões do país.
Na liturgia dos orixás, as folhas de língua-de-galinha são utilizadas nos rituais de iniciação dos filhos de Oxumarê, em banhos purificatórios ou em sacudimentos.
Na África, este vegetal tem os nomes iorubas òbóníbi, ìsó, òbólè e òbóló- kólépòn, sendo utilizado em “receita para tratar criança que come terra”, “receita para ser utilizada durante a gestação” e “trabalho para vencer os inimigos” (Verger 1995:720,235,275,353).



domingo, 4 de outubro de 2015

BATATA-DOCE (EWÉ KÚKÚNDÙNKÚ ou EWÉ ORÍ)


FRIA.
Nome Científico: Ipamoea batatas (l.) Poir. & Lam., Convolvulaceae
Orixás: Iemanjá, Ogum e Oxumarê.
Elementos: Água/feminino.
Caribé & Campos (1991:22), sobre esta convolvulácea, citam: “Nativa da América, há informações de que era cultivada no México e no Peru desde épocas pré-colombianas”.
Vegetal de grande importância e destaque entre os jejê-nagôs, tanto as folhas quanto os tubérculos têm uso litúrgico nas casas de candomblé brasileiras. As folhas são utilizadas em rituais de iniciação e entram nos banhos purificatórios de vários orixás, principalmente Iemanjá, Ogum e Oxumarê. Os tubérculos são oferecidos, juntamente com espigas de milho verde e laranjas, a Xangô Airá, por ocasião da festa em que é feita uma grande fogueira dedicada a este orixá, na noite da véspera do dia de São Pedro. Entram ainda na preparação de comidas que são colocadas como oferendas para Oxumarê e, juntamente com outros legumes, são utilizados em ebós pra diversas finalidades.
Na África, atribuem-lhe os nomes iorubas òdùnkún, ànàmó yáyá, òdùnkún àdùnmó e èdunmùsí (Verger 1995:684), além de kúkúndùnkú, que é o nome pelo qual é conhecido pelos nagôs brasileiros.

Segundo Cruz (1982:104), “as folhas são emolientes e seu cozimento serve para tumores e inflamações, sobre tudo na boca e da garganta, aplicando-se em gargarejos”.   

MACONHA (EWÉ IGBÓ)


QUENTE.
Nomes Populares: Cânhamo-da-índia, Cânhamo-verdadeiro, Fumo-de-angola, Diamba, Liamba.
Nome Científico: Cannabis sativa L., Cannabaceae
Orixá: Exu.
Elementos: Fogo/masculino.
Originário da Ásia, o cânhamo-da-índia aclimatou-se bem no Nordeste brasileiro e em outras áreas tropicais e subtropicais dos continentes.
Nos candomblés de Angola, a maconha é conhecida pelos nomes liamba ou diamba. Folha que no passado foi muito utilizada; atualmente, devido às proibições legais, seu uso é restrito aos trabalhos com Exu, especialmente na sacralização dos seus objetos rituais. Acredita-se que “seja boa para atrair dinheiro, mas também atrai brigas e confusões”.
Nas áreas rurais, o chá das folhas desse vegetal é utilizado como tranquilizante e analgésico no combate às enxaquecas, encefalias e dores de dente.


sábado, 3 de outubro de 2015

SAMAMBAIA-DE-POÇO (ÒMUN e ABERÉ-OJÒ)


FRIA.
Nome Popular: Lana-silvestre
Nome Científico: Thelypteris sp., Thelypteridaceae
Orixá: Oxumarê.
Elementos: Água/masculino.
Tipo de samambaia que vegeta em lugares úmidos, principalmente em beira de córregos, poços e pedreiras. Encontrada com facilidade nas regiões nordeste e sudeste do Brasil.
A folha é utilizada nos rituais de iniciação dos filhos de Oxumarê, mas também é usada para Nanã, Obaluaiê e Ossaim. Em algumas casas jejê-nagôs, este vegetal é conhecido pelo nome de aberé-ojò (aberé = agulha; ojò = cobra), sendo este nome traduzido como pente-de-cobra, provavelmente devido às folhas, que são dispostas lembrando o formato de um pente.  


domingo, 27 de setembro de 2015

CRISTA-DE-GALO (EWÉ OGBE ÀKÙKO)


QUENTE.
Nomes Populares: Heliotrópio, Borragem, Borragem-brava, Jacuacanga, Erva-de-São-Flacre, Aguaraá, Tiriri.
Nomes Científicos: Heliotropium indicum L., Borraginaceae, Heliotropium cordifolium Moench, Heliotropium horminifolium Mill., heliotropium foetidum Salisb., Heliotropium indicum D.C.
Orixá: Xangô.
Elementos: Fogo/masculino.
Originária da Ásia, a crista-de-galo é uma planta que ocorre na África e nas Américas; no Brasil, ela medra praticamente em todas as regiões.
Nos candomblés, em algumas casas, esta erva é utilizada para Oxossi, tendo ainda quem a use para Obaluaiê. Todavia, segundo informações colhidas em terreiros tradicionais da Bahia e do Rio de janeiro, esta planta, conhecida em Salvador pelo nome popular de bico-de-papagaio, pertence a Xangô. Suas folhas entram no oró (ritual de iniciação), no agbó e em banhos purificatórios dos iniciados. É ainda utilizada para preparar um caruru que é oferecido a Xangô.
Segundo Verger (1992:50/52), este vegetal, que na África é conhecido pelos nomes àgógo igún, ògún, ogbe àkùko, àkùko dúdú, àkùko funfun (Verger 1995:677), é citado nos mitos de Ifá e foi usado por Orumilá, juntamente com outras folhas, para acalmar a cólera das ìyámi contra a humanidade.
Em Cuba, a crista-de-galo é consagrada a Obatalá, e atribuem-lhe o nome lucumi aguéyí (Cabrera 1992:298). Todavia, Alguns “santeiros” atribuem este vegetal também a Oxum, sendo usado em banhos.
Na fitoterapia, é utilizada em gargarejos para combater aftas, ulcerações na garganta e faringe.


sábado, 26 de setembro de 2015

CAPIM-DE-BURRO (GBÈGI)


QUENTE.
Nomes Populares: Grama-seda, Capim-da-bermuda, Grama-da-bermuda, Capim-fino.
Nome Científico: Cynodon dactylon (L.) Pers., Paoceae (Gramineae).
Orixás: Xangô e Oxum.
Elementos: Terra/masculino.
A origem dessa planta é duvidosa, mas sabe-se ao certo que é uma planta proveniente de região tropical ou subtropical, atualmente disseminada por todos os continentes.
Liturgicamente, é utilizada em banhos para as pessoas dedicadas a Xangô ou Oxum, "com a finalidade de equilibrar a vida da pessoa". A sua característica de planta que prolifera nos campos e estradas, provavelmente por analogia, tem a finalidade de "dar bons caminhos às pessoas".
Na Nigéria, no culto aos orixás, esta gramínea é conhecida pelo nome iorubá koóko ìgbá (Verger 1995:659).
Como fitofármaco, freqüentemente as pessoas do interior utilizam raízes como diuréticas e antiabortivas.

sábado, 12 de setembro de 2015

TAMARINEIRO (ÀJÀGBAÓ)


FRIA.
Nome Científico: Tamarindus indica L., Leguminosae-Caesalpinloldeae
Orixás: Oxalá e Xangô.
Elementos: Ar/masculino.
Planta de origem africana, encontrada subespontânea em áreas tropicais e subtropicais, adaptando-se com facilidade em diversos tipos de solos.
Árvore de grande porte, o tamarineiro, no Brasil, é tido como sagrado e atribuído a Oxalá, daí algumas vezes ser chamado também de igi iwin. Segundo Santos, "os espíritos que residem em algumas árvores consideradas sagradas são chamados de Iwin... Todas as sacerdotizas de Òrisàlá, por exemplo, trazem o nome de Iwin (Iwin tólá, Iwin muiwá, Iwin solá, Iwin dùnsí etc.)" (1976:76,35). Alguns sacerdotes também associam o tamarineiro a Xangô, utilizando suas folhas em banhos purificatórios e em sacudimentos.
Cabrera (1992:547), na ilha de Cuba, cita o tamarindus indica como uma provável árvore de Oxalá (Dueño: Obatalá[?]) atribuindo-lhe o nome lucumi iggi iyágbon.
Os iorubás no continente africano, dão a esta árvore o nome de àjàgbon (Verger 1995:727)

Suas folhas maceradas são utilizadas pela população do interior na higiene bucal cotidiana em substituição ao creme dental.Sob a forma de chá, em bochecho, é eficaz contra dores de dentes. A polpa do fruto, utilizada como refresco, é digestiva e laxante. Como "simpatia", utilizam-se folhas de tamarineiro colocadas sob o travesseiro para proporcionar sono tranqüilo às pessoas agitadas e que sofrem de insônia.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

FOLHA-DE-FOGO (EWÉ INÓN)


QUENTE.
Nomes Populares: Branda-fogo, Folha-de-Iansã, Pixirica, Anhanga.
Nomes Científicos: Clidemia hirta Ball., Melastomataceae; Clidemia crenata D.C.; Clidemia elegans Dun.; Melastoma elegans Aubl.; Melastoma hirtun L.
Orixás: Exu, Oiá e Xangô.
Elementos: Fogo/feminino.
Planta encontrada em vasta faixa do território nacional, principalmente no Nordeste e Sudeste.
Colhida pela manhã, antes do sol nascer, esta folha pertence a Oiá e Xangô, servindo para "banhos de descarregos e sacudimentos"; apanhada sob o sol do meio-dia, ela pertence a Exu e serve para fazer diversos sortilégios e malefícios.
Sendo uma planta muito conhecida da população rural, a folha-de-fogo é, também, utilizada medicinalmente contra palpitações do coração, afecções das vias urinárias e do aparelho genital, sífilis, erupções cutâneas, feridas rebeldes, moléstias da pele em geral e coceiras.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PINHÃO-BRANCO (BÒTUJÈ FUNFUN)


QUENTE.
Nomes Populares: Pinhão, Pinhão-de-purga, Pinhão-de-=barbados
Nomes Científicos: Jatropha curcas L., Euphorbiaceae; Curcas indica A. Rich.; Curcas purgans Manhem
Orixás: Ogum, Oxossi e Oiá.
Elementos: Fogo/feminino.
Nativa da América tropical, o pinhão-branco é encontrado com mais frequência nos Estados do Norte e Nordeste.
Conhecida também pelo nome nagô olójobè, essa planta tem as mesmas finalidades litúrgicas e terapêuticas do pinhão-roxo.
Provavelmente levado por escravos libertos do Brasil para a África, este vegetal é utilizado em rituais e conhecido naquele continente pelos nomes iorubas olóbòntujè, Iyálóde, làpálàpá lá, ewé ibò, lóbòtujè, bòtujè ubo (Verger 1995:685)


domingo, 6 de setembro de 2015

ERVA-PRATA (EWÉ DÍGÍ)


FRIA.
Nome Científico: Solanum argenteum Dun, & Poir., Solanaceae
Orixás: Oxalá, Oiá e Iemanjá.
Elementos: Ar/ masculino.

Árvore mediana, suas folhas, na face inferior, tem tonalidade branco-prateada e sedosa, daí o nome erva-prata.
Nas casas de candomblé, as folhas da erva-prata são utilizadas no àgbo, em banhos purificatórios e em sacudimentos. Colocada nos barracões, tem a finalidade de “afastar as influências maléficas dos eguns”.
Uma história contada pelo ”povo-de-santo” relata que “quando os eguns atacavam o palácio de Xangô, Oiá agitava os galhos dessa planta e fazia refletir em suas folhas várias imagens desse orixá. Os eguns, vendo tantos orixás iguais, fugiam apavorados, pensando que estavam sendo atacados por um batalhão, sem perceberem que eram apenas projeções de uma imagem sobre a superfície espelhada da erva-prata. Desse modo, Oiá afastava os eguns do reino de Obá Kosso”.


sábado, 5 de setembro de 2015

BONINA (ÈKELÈYÍ)


FRIA.
Nomes Populares: Maravilha, Jalapa, Batata-de-purga, Batata-de-jalapa, Pó-de-arroz.
Nomes Científicos: Mirabilis jalapa L., Nyctagninaceae; Mirabilis odorata L.; Admirabilis peruana Nieuwl.; Mirabilis dichotoma L.; Jalapa dichotoma (L.) Crantz.;Nyctago mirabilis  D.C.
Orixás: Orumilá, Ewá e Oiá.
Elementos: Ar/feminino.
Originária do México, a maravilha ocorre, nos dias atuais, em diversas áreas de clima tropicais nos vários continentes. No Brasil, principalmente do Nordeste ao Sul, é encontrada espontaneamente ou cultivada em jardins como planta ornamental e medicinal.
Nos candomblés jejê-nagôs brasileiros, a maravilha é atribuída a Oiá,e, em Cuba, é considerada uma planta própria de Obatalá, Yewá e também Oiá (Cabrera1992:486).
Esta planta, na África, é utilizada ritualisticamente como defesa contra feitiços e, segundo Verger (1995:697) conhecida pelos nomes iorubas tannáposó, òdòdó elédè, tannápakú, tannátanná, tannápowó e tanná pa osó.
Popularmente, emprega-se o pó das sementes juntamente com o sumo de limão para combater as sardas. O sumo das flores debela as dores de ouvido provenientes de mudança de temperatura. As raízes conhecidas popularmente como batata-de-jalapa são recomendadas nos casos de cólicas abdominais, diarreias, disenterias, hipropisias, leucorréias e sífilis.


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

LEVANTE-MIÚDA (ERÉ TUNTÚN)


FRIA.
Nome Científico: Mentha citrata L., Labiatae
Orixás: Oxum e Iemanjá.
Elementos: Água/feminino.
Planta aromática do gênero mentha, encontrada espontaneamente ou cultivada nos lugares úmidos em áreas tropicais.
De cheiro agradável, a levante miúda é usada nos rituais jêje-nagôs sempre em combinação com outras ervas, tanto em banhos purificatórios , quanto em “defumadores para atrair coisas boas”. Por ser uma folha utilizada para diversos orixás, “muitos pais-de-santo acham que ela pertence a Oxalá”; todavia, é com mais frequência atribuída a Oxum, o que a torna “uma planta de uso não aconselhado para as pessoas de Obá”, pois na África, estas Iabás são representadas por dois rios que, quando se encontram,as águas ficam tempestuosas, fenômeno ligado ao mito em que Oxum e Obá guerrearam pelo amor de Xangô. O eré tuntún é indicado, ainda,
Para compor o amassi empregado na preparação dos búzios usados para fazer previsões.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

CATINGA-DE-MULATA (MAKASA)


FRIA.
Nomes Populares: Catinga-de-crioula, Macassa.
Nome Científico: Hyptis mollissima Benth, Lamiaceae
Orixás: Oxalá, Oxum e Iemanjá.
Elementos: Água/feminino.
Planta encontrada no Nordeste e Sudeste, medrando em lugares úmidos e sombreados.
Toda planta é aromática e exala um agradável perfume que lembra o jasmim. As folhas entram no àgbo dos filhos de Oxalá, Oxum e Iemanjá, e podem ser usadas em banhos purificatórios por qualquer pessoa. Servem para lavar o conjunto de búzios utilizados para fazer previsões. Segundo um informante, “misturadas ao manjericão, manjerona, levante-miúda e colônia, compõe um banho aromático com finalidade de atrair boa sorte”
Na medicina popular, em banho, é utilizada contra as febres infantis.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

BRILHANTINA (EWÉ MIMOLÉ)


FRIA.
Nomes Científicos: Pilea microphylla Miq., Urticaceae; Pilea microphilla Liebm.; Pilea muscosa Lindl.
Orixás: Oxalá e Oxum.
Elementos: Água/feminino.
Planta herbácea, nativa da América tropical, encontrada em todo território nacional, cultivada e espontânea.
Embora seja uma planta facilmente encontrada, seu uso é pouco freqüente nas casas-de-santo; porém, é utilizada na composição de “banhos de proteção juntamente com outras folhas dos orixás”, sendo comum a reafirmação de não usá-la isoladamente, provavelmente pelo fato de tratar-se de uma urticácea; todavia, os batuqueiros do Sul do país utilizam esta planta com frequência em banhos de purificação para os filhos de Oxum, e atribuem-lhe o nome popular de dinheiro-em-penca.


TRAPOERABA (GÒDÒGBÓDÒ)


QUENTE.
Nomes Populares: Olhos-de-santa-luzia, Marianinha (BA), Capim-gomoso, Maria-mole.
Nomes Científicos: Commelina difusa Burn. f., Commelinaceae; Commelina communis Benth.; Commelina aquática J.K. Morton; Commelina agraria Kunth; Commelina longicaulis Jacq.
Orixás: Nanã, Omolu e Exu.
Elementos: Terra/masculino.
Planta nativa na América do Sul, dispersa em várias regiões tropicais e subtropicais do globo, apontada como invasora na Ásia e África tropical.
Tanto no Brasil quanto no continente africano, a Commelina difusa é uma erva com utilidade litúrgica. Nos candomblés brasileiros, é usada em banhos para os orixás, quando colhidas em matas nas primeiras horas da manhã, e em trabalhos com Exu, quando colhida sob sol quente em beiras de ruas e em estradas.
Com a mesma finalidade, no Brasil, podemos citar a Commelina erecta L., (= Commelina elegans H,B.K. ou Commelina deficiens Hook.), que na África é conhecida pelos nomes ìlèkè òpòlò, itó ìpére, itópa ire, olójòngbòdú e olájàngbàlú (Verger 1995:654), e em Cuba tem as denominações lucumis ewe karodo, cotonembo, contolo e mini sendo dedicada a Oxalá e a Iemanjá (o branco), e a Xangô (o lilás), servindo para lavar os “assentos” dos orixás femininos, lavar os olhos e para banhos benéficos (Cabrera 1992:365). Ainda na África, os nomes gòdògbò, odò, àtòjò àtèrùn, omoníròganrògan são atribuídos à Commelina difusa (Verger 1995:654).
Essa planta tem diversas utilidades na fitoterapia, e uma delas é a de combater afecções das vias urinarias. O cozimento das folhas é usado contra reumatismo, e o líquido que é extraído do fruto é utilizado, no interior, no combate às inflamações oculares. Suas folhas esmagadas são aplicadas sobre as tumefações produzidas por picadas de inseto.


domingo, 30 de agosto de 2015

FOLHA-DA-RIQUEZA (EWÉ AJÉ)



FRIA.
Nomes Populares: Corrente, Periquito, Carrapichinho, Apaga-fogo, Manjerico.
Nomes Científicos: Alternanthera tenella Colla, Amaranthaceae; Bulchozia polygonoides var. difusa Mart.; Telanthera polygonoides var. difusa Maq.;
Telanthera polygonoides var. brachiata Maq.; Alternanthera ficoidea var. difusa Kuntze; Alternanthera  ficoidea brachiata (Maq.) Uline & Bray.
Orixás: Iemanjá e Ajé Saluga.
Elementos: Água/masculino.
Planta nativa das Américas, que ocorre em todo território brasileiro, tanto no campo quanto em beira de calçadas nas áreas urbanas.
Classificada como um vegetal gun (de excitação) e considerada “folha muito positiva” nos terreiros de candomblé, é utilizada para todos os orixás sem exceção, não devendo faltar no àgbo, nos banhos purificatórios e na sacralização dos objetos rituais dos orixás, pois acredita-se que esta erva tem o poder de “atrair coisas boas e positivas”. É empregada, ainda, na preparação de um pó (atin) que tem por finalidade atrair riqueza e prosperidade.
Não devemos confundir ewé ajé (ajé), a folha do feitiço, com ewé ajé ou ajejé (ajê ou ajejê), a folha do orixá da riqueza Ajé Saluga, pois, embora os nomes nagôs sejam muito parecidos, suas funções são antagônicas.
“Na farmacopeia popular as folhas são usadas como diuréticos.” (Kissmann 1992-II:27)


sábado, 29 de agosto de 2015

MARIA-PRETA (EWÉ SOLÉ)


QUENTE.
Nomes Populares: Maria-preta-verdadeira, Balaio-de-velho.
Nome Científico: Eupatorium ballotaefolium H.B.K., Compositae
Orixás: Nanã, Obaluaiê e Oxumarê.
Elementos: Terra/feminino.
Folha utilizada nos rituais de iniciação e banhos purificatórios para os filhos de Nanã, Obaluaiê e Oxumarê.
O decocto dessa planta é usado para curar feridas diversas e, juntamente com capim-limão e raiz de fumo-bravo, em infusão, serve para combater gripes e resfriados fortes. Planta aromática, excitante e emoliente.


ERVA-SILVINA (EWÉ ODÁN)


QUENTE.
Nomes Populares: Cipó-cabeludo, soldinha.
Nome Científico: Polypodium vaccinfolium Langsd & Fischer, Polypodiaceae.
Orixás: Obaluaiê e Nanã.
Elementos: Terra/masculino.
De origembrasileira, esta polipodeácea medra em quase todas as regiões do país, principalmente em matas tropicais úmidas, onde é encontrada afixada nos troncos das árvores.
Embora não sendo propriamente um parasita, a erva-silvina é considerada como tal e está incluída entre os àfòmón, categoria que é atribuída a todos os vegetais que se utilizam de outros como substrato. Segundo a tradição jejê-nagô, este é um dos principais vegetais atribuídos a Obaluaiê, e “representa os fundamentos deste orixá com Nanã”, sua mãe mítica. É utilizado nos rituais de iniciação dos iaôs, no àgbo e em banhos de purificação.
Como fitofármaco, possui propriedades hemostáticas e adstringentes, sendo empregado para combater os males dos rins, bexiga, reumatismo, dores nas costas, varizes, perda de sangue pela urina e congestões sanguíneas.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

ARNICA-DO-CAMPO (TAMANDÉ)


FRIA.
Nomes Populares: Erva-lanceta, Lanceta, Espiga-de-ouro, Sapé-macho, Arnica-do-brasil.
Nomes Científicos: Solidago microglossa DC., Asteraceae (Compositae); Solidago chilensis Meyen.
Orixá: Nanã.
Elementos: Água/feminino.
Planta nativa da América do Sul, ocorrendo com mais frequência nas regiões sudeste e sul.
Segundo informações, em Salvador-(BA), esta folha é atribuída a Nanã, e seu nome nagô significa “aquela que reza”. É utilizada na sacralização dos objetos rituais deste orixá.

A arnica-do-campo possui as mesmas propriedades da arnica-verdadeira, sendo utilizada para combater doenças do estômago e, em tintura homeopática, para prevenir derrame em casos de tombos e quedas.

BILREIRO (ÌPÈSÁN)


QUENTE.
Nomes Populares: Carrapeta, Jitó, Carrapeta-verdadeira, Carrapeteira.
Nomes Científicos: Guarea guidonia (L.) Sleumer., Mellaceae; Guarea trichilloides L.; Guarea aubletil Juss.; Guarea surinamensis Miq.; Guarea guara Wilson; Trichila guara L.
Orixá: Xangô.
Elementos:  Fogo/masculine.
Planta brasileira que ocorre com frequência do Norte ao Sudeste do Brasil, podendo ser encontrada na região Sul, Guianas, Antilhas e países da América Central.
Essa árvore pertence a Xangô, e suas folhas são utilizadas em banhos de iniciação, proteção e prosperidade. Os galhos são utilizados em sacudimentos.
Os cubanos usam as folhas dessa árvore, juntamente com milho vermelho, benjoim, casca de ovo e pedra imã, para preparar um pó de atração que é soprado dentro de casa com a finalidade de chamar dinheiro. Com um pedaço da casca do tronco, um ovo e vinho seco dentro de um recipiente, fazem também um sortilégio para que um amante ou pessoa ausente retorne ao lar. Utilizam, ainda, esse vegetal para rogar a Xangô, em época de seca, para que chova, ou para que esse orixá fulmine com seus raios um inimigo. É comum, nas casas-de-santo cubanas, ter na entrada principal esta árvore plantada, pois acreditam que ela tem o poder de barrar todas as demandas (Cabrera 1992:554-555).


O ìpèsán é louvado nos cânticos dedicados a Ossaim, no ritual da sasányìn, como a árvore que deixou de ter frutos quando as feiticeiras nela pousaram, isto é, negou os seus frutos aos “pássaros negros”. Assim se explica o fato dela ser considerada poderosa protetora contra feitiço, pois sobre ela as entidades maléficas não encontraram abrigo.
Empregada como fitoterápica, a carrapeta combate febre, tosse, gota, afecções sifilíticas e conjuntivite; porém, é “considerada abortiva quando empregada em fortes doses” (Guimarães & Mautone & Rizzini & Mattos filho 1993:53), pois tem ação direta sobre o útero. Em doses elevadas é tóxica, e coloca em risco a saúde.


domingo, 23 de agosto de 2015

MALVA-BRANCA (ÀSÍKÙTÁ E EFIN FUNFUN)


FRIA.
Nomes Populares: Guanxuma, Malva-veludo, Guaxima, Malva.
Nome Científico: Sida cordifolia L., Malvaceae
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino.
Encontrada em áreas tropicais de vários continentes, esta planta é nativa das Américas e ocorre do sul dos Estados Unidos até a Argentina. NoBrasil é encontrada em grandes concentrações nos Estados do Norte, Nordeste e Sudeste.
Conhecida também nos candomblés brasileiros pelos nomes de efin, esta planta entra na composição de àgbo e em banhos purificatórios nas casas-de-santo. Sendo utilizada por todos, principalmente aqueles ligados a Oxalá, Iemanjá, Oxum e Oxossi; todavia, nos batuques rio-grandenses, esta planta é utilizada em banhos e rituais para Xapanã.
Empregadas na liturgia pelos iorubas, é conhecida na Nigéria pelo nome èkuru oko (Verger1995:720).
Benefícios e indicações de uso da malva: A malva auxilia no tratamento dos casos de aftas, bronquites, catarros, faringites e tosse, além de infecções na boca, garganta e laringe e alivia o mau hálito. As compressas das folhas da planta servem para tratar queimaduras de sol; gargarejos com o chá tratam inflamações da boca (gengivite e afta) e garganta. A planta é também utilizada no tratamento de úlcera, gastrite, prisão de ventre, emplastro para curar abscessos e cólicas intestinais. Quando usada em cataplasmas e compressas, a malva possui ação cicatrizante, amenizando acnes, furúnculos e deixando uma sensação de frescor na pele. As folhas da malva-branca possuem propriedades emolientes e, amassadas, são aplicadas sobre picadas de vespas. O decocto das raízes é usado, externamente, para combater a blenorragia.


sábado, 22 de agosto de 2015

ARROZINHO (SÈNÍKAWÁ)


FRIA.
Nomes Populares: Carrapicho, Orelha-de-caxinguelê. Alfafa-do-campo, Urinária.
Nomes Científicos: Zornia diphylla Pers., Leguminosae; Zornia latifólia Smith., Leguminosae; Zornia reticulata, Fabaceae.
Orixás: Ewá e Ossaim.
Elementos: Água/masculino.
Vegetal amplamente disperso pela América do Sul, encontrado também no continente africano.
Planta utilizada nos rituais de iniciação, que, segundo Barros(1993:110),
Seu nome nagô significa “ter que vir”. Provavelmente, uma alusão ao chamar-se o orixá para que ele incorpore seu ìyàwó.
Segundo Verger (1995:737), este vegetal é conhecido dos iorubas, na África, com o nome de è, terminologia dada na África a diversos tipos de plantas que possuem frutos pegajosos (carrapichos).
Considerada diurética, laxante, é usada contra diarreias, Externamente, em massagem para reumatismo.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

NEVES (JOBÓ e LÀTÓRIJÉ)


FRIA.
Nomes Populares: Alfazema-de-caboclo, Alfazema-brava, Macaé, Mercúrio-do-campo, Poejo-do-brejo.
Nomes Científicos: Hyptis pectinata (L.) Poit., Lamiaceae; Nepeta pectinata L.; Clinopodium imbricatum Vell.
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino.
Considerada uma planta pantropical, esta espécie de hyptis ocorre amplamente nas Américas, desde o México até o Sudeste brasileiro.
Conhecida também pelo nome jejê-nagô làtórijé, essa planta é atribuída a Oxalá. Entra nos rituais de iniciação e em banhos purificatórios de todos os adeptos.
Na África é conhecida entre os iorubas pelos nomes jógbó e olátorije (Verger 1995:682)
Na medicina popular é empregada como estimulante, sudorífera e béquica.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

BÉTIS-BRANCO (EWÉ BOYÍ FUNFUN)


FRIA.
Nomes Científicos: Piper rivinoides Kunth., Piperaceae
Orixás: Oxalá e Iemanjá.
Elementos: Água/feminino.
Planta nativa brasileira que medra em matas úmidas e sombreadas de clima tropical, mais freqüente nas regiões nordeste e sudeste do país.
Utilizada nos rituais de iniciação e banhos de purificação para todos, “pois, sendo de Oxalá, seu uso é permitido a qualquer filho-de-santo”.
Medicinalmente, como ocorre com outras plantas do gênero piper, possui propriedades diuréticas e cicatrizantes.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DAMA-DA-NOITE (ÀLÚKERÉSÉ)


FRIA.
Nomes Populares: Campainha, Corriola-da-noite, Boa-noite, Abre-noite-fecha-dia.
Nomes Científicos: Ipomoea alba L., Convolvulaceae; Convolvulus aculeatus L.; Convolvulus aculeatos var. bona-nox L.; Ipomoea bona-nox L.; Colonyction bona-nox (L.) Boj.; Colonyction aculeatum Choisy
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino.
Planta originária da América tropical, dispersa por todos os continentes, sendo uma espécie freqüente e bastante disseminada no território brasileiro. Kissmann (1992:522-II) relata a existência das variedades gigantea, muricata e vulgaris no Nordeste brasileiro, e Pott & Pott (1994:98) mencionam que o cálice (flores brancas) é utilizado como comestível em sopas e que as sementes eram usadas pelos escravos como sucedâneo do café.
Nos cultos de origem jejê-nagô, as folhas da dama-da-noite são utilizadas na iniciação dos filhos de Oxalá e em “banhos de prosperidade”, pois acredita-se que, sendo um vegetal de fácil expansão e que produz farta ramificação, por analogia, no plano litúrgico, está associado a fartura.
Sob as denominações iorubas de àlùkérése, àlùkérése pupa, afàkájù, òdódó oko e òdódó odò, Verger (1995:684) dá a classificação científica de Ipomoea involucrata P. Beauv., a qual não conseguimos determinar se é sinonímia da I. alba ou se se trata de outra espécie.
Como fitofármaco, o banho feito com os ramos desta convolvulácea é tido como um tratamento eficaz nos casos de reumatismo, servindo ainda para “amolecer inflamações cutâneas”.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

JEQUIRITI (WÉRÉNJÉJÉ)


QUENTE.
Nomes Populares: Arvoeiro, Olho-de-pombo, Tenta-miúdo, Cipó-de-alcaçuz, Tentinho, Assacu-mirim, Carolina-miúda, Tento-da-américa, Piriquiti.
Nomes Científicos: Abrus precatorius L., Leguminosae-Faboideae; Abrus abrus Weight; Abrus maculatus Noronha; Abrus minor Dess.; Abrus panciflorus Dess.; Abrus squamulosos E. Ney
Orixás: Ossaim e Exu
Elementos: Terra/masculino.
Encontrada em áreas tropicais nas Américas, Índia e África, sua origem, todavia, é discutível. No Brasil, ocorre principalmente no Norte, Nordeste e Sudeste.
Folha misteriosa, o jequiriti entra no orò de iniciação de todos os filhos-de-santo, pois existe uma estreita ligação deste vegetal com Exu, sendo esta entidade a primeira a ser cultuada nos rituais de iniciação. “É, no seu papel de princípio dinâmico, de princípio de vida individual e de Òjise ou elemento de comunicação que Èsù Bara está indissoluvelmente ligado à evolução e ao destino de cada indivíduo. Como tal, ele também é Senhor dos Caminhos, Èsù-Òna, e pode abri-los ou fecha-los...” (Santos 1976:169). A utilização do jequiriti, provavelmente como a primeira folha do àgbo, tem por finalidade, através do Bara (Exu pessoal), proporcionar ao iniciado novos e melhores caminhos a partir da feitura do orixá, que representa o nascimento para uma nova vida. Em outras circunstâncias, suas sementes são utilizadas para trabalhos maléficos e, se pisada por alguém, tem a capacidade de gerar brigas e desordens.

Nos centros de umbanda, as sementes do jequiriti são atribuídas a Exu e servem para confeccionar colares, que são usados pelos adeptos, com a finalidade de afastar pessoas negativas e invejosas.
Nas “santerias” cubanas, o jequiriti é conhecido pelos nomes lucumis ewé-réyeye ou iggereyeye. As semente e folhas também entram num “omieró” especifico para iniciados; porém, os pequenos tentos são considerados perigosos, pois provocam brigas e desordens, e com eles se fazem trabalhos maléficos (Cabrera 1992:514).
Na África esta leguminosa é conhecida ainda pelos nomes aládùn, adágbé, makò, méénmésén, méénmésén ìtàkùn, mísínmísìn, ojú eyelé, ojú ológbò, olá-tògégé e pákùn obarìsà, sendo utilizada em trabalhos para preservar a saúde, tais como “receita para acabar com a tosse” e “receita para resolver gravidez de mais de nove meses”, como também em “trabalho para ajudar alguém a ser possuído por Xangô”, “trabalho para persuadir as pessoas” e “proteção contra envenenamento” (Verger 1995:625,165,289,303,347,457)
As sementes do jequiriti são empregadas há muito tempo, no Brasil, no tratamento de doença dos olhos, principalmente conjuntivite grânulos rebelde; todavia, é necessário cautela ao usá-las, devido seu alto teor de abrina, o princípio ativo dessa planta, uma albumina tóxica, que, ingerida, pode provocar a morte. As folhas e raízes, maceradas, são indicadas nos casos de afecções pulmonares, urinárias e do ventre.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

ORELHA-DE-MACACO (EWÉ OGBÓ)


QUENTE.
Nomes Populares: Rama-de-leite, Cipó-de-leite, Folha-de-leite, orelha-de-macaco.
Nomes Científicos: Periploca nigrescens Afzel., Asclepladaceae; Parquetina nigrescens (Afzel) Bullock.
Orixás: Oxossi e Ossaim.
Elementos: Terra/masculino.
Planta originária da África tropical, trazida pelos nagôs para o Brasil, onde está aclimatada, sendo encontrada em florestas sombreadas ou cultivadas para fins ritualísticos.
O ogbó é um vegetal que entra na iniciação de todos os filhos de santo. É utilizado tanto em banhos quanto em ritual associado a outras plantas para retirar a consciência mediúnica dos iniciados, seu efeito só se faz presente quando catalisados por determinadas folhas.
Conta um mito muito popular nos candomblés que “esta foi a primeira folha liberada por Ossaim, para ser utilizada por Oxossi”.

Na África recebe ainda os nomes ogbó pupa, ogbó funfun, asogbókan, asóbomo e gbólogbòlo, e utilizam-na liturgicamente para tratar a epilepsia (Verger 1995:265,704).