Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

sábado, 1 de agosto de 2015

URUCUM (OSÙN ELÉDÈ)


QUENTE. 
Nomes Populares: Urucu, Açafroa, Açafroeira-da-terra.
Nomes Científicos: Bixa orellana L., BIXACEAE; Bixa americana Poir; Bixa urucurana Willd.
Orixá: Xangô.
Elementos: Fogo/feminino
Esquenta a casa, o trabalho, o amor. Faz aparecer os erros e o que está perdido e escondido.
Planta de origem brasileira, que ocorre em todo o território nacional, sendo com maior incidência em florestas pluviais do Norte e Nordeste.
As sementes do urucum produzem um corante vermelho (colorau), muito utilizado na culinária doméstica; porém, nos rituais de iniciação, este corante substitui o osùn africano, utilizado nos rituais de iniciação.
Sob forma de chá, suas sementes são utilizadas no combate às afecções cardíacas e das vias respiratórias, e externamente, em emplastro, na cicatrização de queimaduras.


SABUGUEIRO (ÀTÒRÌNÀ)


QUENTE. 
Nomes Científicos: Sambucus nigra – CAPRIFOLIACEAE; Sambucus australasica Fritsch.
Orixá: Obaluaiê
Elementos: Fogo/masculino.
Açoita verdadeiramente os inimigos e os afasta é uma “vara de fogo”. Ajuda na doença – boa sorte.
Planta que ocorre no Brasil, medrando, principalmente, nos Estados do Nordeste, Sudeste e Sul. Podendo ser encontrada por toda a Europa, sudoeste da Ásia e noroeste da África, o sabugueiro é resistente à poda, regenerando-se sempre, mesmo que cortada na base.
O sabugueiro é uma árvore espontânea, densa, ramificada, e sua altura pode chegar a até seis metros. Sua copa tem formato arredondado e suas flores, que possuem um perfume muito agradável, são muito brancas e pequenas, reunidas em corimbos, e devem ser colhidas na primavera. Elas têm em sua composição ácido cianídrico, glicósido, samburigina-amigdalina e benzaldeído. Seus ramos possuem uma medula branca, esponjosa e resinosa. Já suas bagas, são de cor negra ou violeta, apresentam formato arredondado e possuem em seu interior duas sementes ovais. Possuem vitamina A, B, C e D, tânico, óleo essencial, solina, resinas, hidratos de carbono, glicose, albumina, valeriânico e ácidos málico e tarárico, e devem ser colhidas no final do verão ou no outono, épocas em que atingem estado de maturação.

Suas folhas são empregadas nos rituais de iniciação, oferendas e banhos purificatórios dos filhos de Obaluaiê.
Na forma de chá, o sabugueiro é usado popularmente contra as afecções broncopulmonares. Excitante, sudorífico, febrífugo, combate resfriados, gripes, angina, hidropisia, inflamações da pele, furúnculos queimaduras e erisipela.

Partes usadas para fins medicinais

As folhas do sabugueiro são usadas, depois de amassadas, em queimaduras, pois ajudam a reprimir a dor. A tisana feita por meio das flores é utilizada contra gripes, anginas e constipações, e também é eficaz em casos de varíola, escarlatina, rubéola e sarampo. Já a tisana preparada a partir das raízes, cascas e folhas, é indicada em caso de reumatismo e tem efeito diurético.

A tisana pode ser preparada com uma caneca de água fervendo e uma colher de sopa de flores secas ou raízes, cascas e folhas. A mistura deve ser deixada em repouso por aproximadamente dez minutos, e consumida depois. A dose indicada é de uma xícara diária. O consumo em excesso pode causar problemas estomacais e vômitos.

Para o chá, coloque uma colher de sopa de flores secas do sabugueiro em uma xícara de água fervente e deixar por dez minutos. Coe e tome três xícaras de chá ao dia.

Um santo remédio

Eficaz no combate à tosse, espirros, catarro, dores dos molares, de cabeça, de ouvidos, nevralgias, inflamação da garganta e laringe, sintomas alérgicos e para limpeza de pele.

Seu alto teor de vitamina B nas bagas da planta permite sucesso quando usada para a cura de inflamações do sistema nervoso.

As folhas de sabugueiro são tóxicas e podem causar reações alérgicas quando usadas frescas. O uso correto para chá e outros remédios é a folha já seca. Grávidas e lactantes não devem fazer uso do sabugueiro.

TROMBETEIRA ROXA (ÈSÒ FELEJE)


FRIA.
Nomes Populares: Saia-roxa, Trombeta-roxa, Datura, Manto-de-cristo, Metel, Trombeteira, Trombeta-cheirosa, Cartucho-roxo, Zabumba-roxa, Nogueira-de-metel, Anágua-de-viúva.
Nomes Científicos: Datura metel L., Solanaceae; Datura arbórea, SOLANACEAE; Datura fastuosa Ness.; Datura carnucopaea Hort. Ex W.W.
Orixás: Exú, Ossaim e Oiá.
Elementos: Ar/feminino;
Homenageia e honra as mulheres, ancestralidade feminina, faz nascer filhos e netos.
Arbusto com mais de um metro de altura, que produz flores no formato de trombeta com cálice tubuloso róseo. Originário da Ásia e África, é encontrado no Brasil, com mais freqüência nas regiões nordeste e sudeste.
Utilizada em banhos, sempre misturada com outras folhas, a trombeta-roxa é também usada em trabalhos com Exú. É vedada aos adeptos a aproximação desta planta, que muitas vezes modificam seu caminho quando encontram este arbusto; por isso, apenas os sacerdotes mais qualificados podem coletá-la. Sob a forma de decocto é utilizada pelas mulheres iniciadas em lavagens para combater afecções vaginais.
Conhecida pelos africanos iorubás como apikán (Verger 12995:660), é utilizada em diversos trabalhos, a maioria com finalidades maléficas, tais como: "trabalho para enlouquecer alguém", "trabalho para envenenar alguém" e "trabalho para fazer alguém vomitar e ter diarréia" (Verger 1995:415,421,423).
Tratando-se de planta tóxica, seu uso medicinal é recomendado, de preferência externamente, em banho feito com o decocto das folhas, para combater o reumatismo. Detém princípios alucinógenos próprios das daturas; daí, alguns autores afirmarem que seu emprego necessita de cautela.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

TROMBETEIRA BRANCA (ÀGOGÓ)


QUENTE.
Nomes Populares: Saia-branca, Estramônio, Figueira-do-inferno, Trombeteira, Erva-do-diabo, Pomo-espinhoso.
Nomes Científicos: Datura stramonium L., Solanaceae; Datura arbórea, SOLANACEAE; Datura pseudostramonium Sieb.; Datura tatula L.; Stramonium spinosum Lam.; Stramonium vulgarium Gaertn.
Orixá: Exú
Elementos: Fogo/feminino;
Homenageia e honra as mulheres, ancestralidade feminina, faz nascer filhos e netos.
Conhecida praticamente em todas as regiões tropicais do mundo, o estramônio tem sua origem na Ásia, provavelmente no Himalaia.
Tema de um livro de Carlos Castañeda intitulado A erva do diabo, esta planta tem despertado o interesse de vários estudiosos das áreas de antropologia e etnobotânica, principalmente no que diz respeito à sua utilidade e função alucinógena em rituais indígenas. "Propriedades alucinogênicas da planta são conhecidas desde a antiguidade, sendo que em Delfos, na antiga Grécia, os sacerdotes usam a planta para provocar delírios quando consultavam oráculos" (Kissmann 1995:472-III).
Nos cultos afro-brasileiros, o estramônio é utilizado, principalmente, "em trabalhos feitos com Exú".
Seu nome nagô deriva do fato de suas flores possuírem o formato semelhante ao da sineta (agogô) utilizada nos rituais como instrumento de percussão para chamar o orixá.
Planta considerada maléfica pelos cubanos, que atribuem também a Exú e utilizam-na para envenenar ou provocar cegueira nas pessoas, sendo conhecida pelo nome lucumi de ewé ofó e ewé echenlá (Cabrera 1992:416).
As flores brancas dessa solanácea, no formato de trombeta, são semelhantes às da Datura suaveolens; porém, bem mais alvas e menores. Toda a planta possui um princípio tóxico; embora seja usada na medicina popular, nos casos de asma, é narcótica e pode levar a morte.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

FOLHA da COSTA (ÒDÚNDÚN)


FRIA. 
Nomes Populares: Saião, Folha-grossa, Paratudo, Erva-grossa.
Nomes Científicos:  Kalanchoe brasiliensis Camb. CRASSULACEAE; Kolanchoe crenata (Andr.) Haw.
Orixá: Oxalá.
Elementos: Água/feminino.
Limpa a casa e seus habitantes. Pacifica a família, traz dignidade, traz trabalho.
De origem brasileira, a folha-da-costa é encontrada, praticamente, em todo o território nacional, estando hoje aclimatada em diversas áreas tropicais de outros continentes.
Tanto no Brasil como na África, esta planta é dedicada a todos os orixás ligados ao mito da criação, conhecidos como òrisà-funfun, e, por extensão, é utilizada para os demais orixás.
Nos candomblés brasileiros é usada nos ritos de iniciação, como uma das principais plantas no àgbo, em banhos diversos, para compor oferendas feitas a Oxalá e nos sacrifícios de pombos, cágados, patos e galinhas-d'angola, quando a folha deve cobrir os olhos destes animais para que não vejam Ikú (a morte). Por gozar de grande prestígio entre os vegetais utilizados no culto, é exaltada na qualidade de folha calmante(èrò) no ritual da sasányìn, através de um dos versos de seu cântico: "ÒDÚNDÚN BÀBÁ T'ÈRÒ 'LÈ" (ÒDÚNDÚN, pai, espalhe a calma sobre a terra). Juntamente com outras ervas, também entra na mistura de plantas utilizadas para  "lavar os búzios e as vistas" dos sacerdotes que utilizam os jogos divinatórios.
Verger (1992:31) dá a fórmula de um "omieró" onde constam várias folhas,  entre elas o òdúndún, utilizado pelos babalaôs africanos para lavar os olhos antes da abrirem IGBÁDÙ (cabaça de Odú). Ainda Verger (1981:255) cita que, Ilésin de Ideta-Ilê, no culto a Obàtálá e sua mulher Yemowo, este vegetal é utilizado , em conjunto com outros, para lavar os objetos rituais, após os sacrifícios. Na África; é conhecido ainda pelo nome iorubá elétí (Verger 1995:685).
Na fitoterapia o saião é utilizado para debelar doenças pulmonares, porém o conhecimento popular afirma que, consumido em abundância, pode provocar pleurisia. A folha amassada e colocada sobre as ´reas contundidas alivia a dor, diminui o inchaço e promove uma r[ápida cicatrização, bem como, aquecida em azeite de oliva, acelera a maturação de furúnculos. Seu sumo, ingerido, combate úlceras e distúrbios estomacais.


PITANGUEIRA (ÍTÀ)


QUENTE. 
Nomes científicos: Eugenia pitanga Berg., MYRTACEAE; Eugenia uniflora L.; Eugenia indica Mich.; Eugenia micheli Lam.;Myrtus brasiliana L.; Stenocalyx michelli Berg.
Orixás: Ossaim e Oxum.
Elementos: Terra/feminino. 
Atrai dinheiro, sorte, memória ancestral, afasta as más idéias.
Planta nativa brasileira, frutífera, encontrada nas diversas regiões do país, principalmente no Nordeste, Sudeste e Sul.
As folhas da pitangueira são usadas como provedoras de prosperidade; por isso, "nos dias de cerimônia pública, chamada 'xirê dos Orixás'- a festa, a distração dos orixás -, o barracão é decorado com guirlandas de papel, nas cores do deus festejado, o chão é cuidadosamente varrido, salpicado de perfumadas folhas de pitanga..." (Verger 1995:71), costume este praticado, principalmente, nas festas de Oxum. São também "usadas em sacudimentos e banhos para atrair coisas boas e prosperas".
Em Porto Alegre, os batuqueiros costumam usar as folhas da pitangueira em banhos de purificação para os filhos de Iansã.
Existe uma crença, entre as pessoas do interior, de que " na ceia de ano-novo, deve-se ter alguns galhos de pitangueira sobre a mesa, pois só assim o ano que vai iniciar sera farto e próspero".
Popularmente, as folhas desta mirtácea são consideradas adstringentes,aromáticas, balsâmicas e anti-reumáticas, sendo utilizadas em infusões no combate às diarréias e febres infantis.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

PINHÃO ROXO (BÒTÚJE PUPA)


QUENTE. 
Nomes Populares: Pinhão-do-paraguai, batata-de-téiu, jalapão. 
Nome Científico: Jatropha gossypifolia L., EUPHORBIACEAE
Orixás: Ogum, Oxossi e Oiá.
Elementos: Fogo/feminino.
Ajuda os partos, afasta más influências,ajuda a não abortar. Chama dinheiro, bom para humor e alegria. 
tendo sua origem na América tropical, este vegetal é encontrado em quase todos os Estados brasileiros.
Dedicado a Iansã - Ìyá mesan òrun - a patrona dos Eguns, seus galhos são empregados em sacudimentos e banhos, também para pessoas de Ogum e Oxossi, nos terreiros jêje-nagôs.
Na casa-das-minas, no Maranhão, utiliza-se a folha do pinhão-roxo em banhos específicos, com finalidade de adquirir sorte e prosperidade.
Nos cultos umbandistas, no Rio de Janeiro, esta folha é usada em banhos de descarrego e pelas rezadeiras em suas benzeduras.
Na África, os iorubás empregam este vegetal com diversos fins litúrgicos, sendo conhecido naquela região pelos nomes làpálàpá pupa, lóbòtúje, olóbóntúje, ako làpá làpá (Verger 1995:685).
O suco viscoso fornecido por seus galhos é usado na cura de feridas, pois sendo excelente hemostático não-cáustico, é indolor e coagula o sangue, estancando as hemorróidas externas.