Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

AZEDINHA do BREJO (ÌMU)


FRIA.
Nomes Populares: Erva-saracura, Erva-do-sapo, Erva-azeda, azeda-de-ourives, Begônia ou Azedinha.
Nomes Científicos: Begonia fischeri Schrank., Begoniaceae; Begonia cucculata, Begoniaceae; Begonia acida Vell.; Begonia bahiensis D.C.
Orixás: Iemanjá, Oxalá e Nanã.
Elementos: Água/feminino.
Planta de origem brasileira, ocorrendo em quase território nacional, principalmente e com mais abundância nas regiões úmidas do Nordeste e Sudeste. É uma planta muito delicada, e por sua beleza é freqüentemente cultivada em jardins.
Utilizada nos rituais de iniciação, banhos purificatórios e na sacralização dos objetos rituais de iniciação dos orixás, é considerada por muitos uma planta exclusiva de Iemanjá; porém, existe discordância, pois alguns a atribuem a Oxalá ou Nanã.
A folha, quando mastigada, tem sabor azedo, porém agradável, sendo indicada no combate ao catarro da bexiga, diarréias, disenterias, escorbutos e sapinho de recém-nascidos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

GAMELEIRA-BRANCA (ÌRÓKÒ)


QUENTE
Nomes Populares: Gameleira, Figueira, Tatajuba, Iroco, Figueira-branca, Figueira-brava, Figueira-grande.
Nomes Científicos: Clorophora excelsa, Moraceae ou Ficus doliaria M.art., Moraceae
Orixás: Oxalá, Ìrókò e Exu.
Elementos: Fogo/masculino.
Ajuda na cura de doenças graves. Afasta a morte.
No Brasil, a gameleira substitui o verdadeiro ìrókò africano (Chlorophora excelsa [Welw.] Benth & Hook.), que também é uma morácea conhecida, naquele continente, pelos nomes iorubás èrò ìrókò, ìrókò aládé oko, ìrókò èwò, ìràwé igbó (verger 1995:647). A árvore africana faz parte do rol de vegetais do culto de Ifá, e foi sobre ela que as feiticeiras pousaram, mas não conseguiram permanecer, pois seus frutos não as satisfaziam. Foi a terceira árvore onde as ìyámi tentaram se estabelecer, mas não tiveram sorte.
A gameleira é considerada, dentro dos cultos nagôs, no Brasil, um vegetal sagrado e respeitado como moradia e local de adoração da entidade fitomórfica de origem jejê-nagô, Ìrókò, que, quando se manifesta em seus iniciados, se assemelha muito a Xangô. Também é atribuída a Oxalá, pois, no oriki (recitações) em que esta árvore está relacionada com os orixás da criação (Oxalás), ela é reverenciada como "Ìrókò! Oluwéré, Ògìyán Èlèijù, que se pode traduzir livremente por: Ìrókò, árvore proeminente entre todas as outras, o Òrìsà-funfun (Ògìyán) do âmago da floresta" (Santos 1979:77). Suas folhas são usadas em rituais de iniciação nas casas de candomblés, no àgbo dos filhos desse orixá e em banhos para problemas graves de saúde, "não devendo ser empregadas pra outras coisas, pois é folha muito quente que, quando se colhe, tem que fazer ritual, porque depois do meio-dia é de Exu e não cura". É útil, ainda, em casos de doenças graves, pois é crença comum que "as folhas da gameleira sob o travesseiro do doente têm poderes para espantar a morte".
A madeira da gameleira, por ser macia, é utilizada na confecção de canoas e gamelas artesanais, daí o nome gameleira. 


terça-feira, 4 de agosto de 2015

AKÒKO


FRIA
Nomes Populares: Acocô, Primeira-folha
Nome Científico: Newboldia laevis Seem, Bignoniaceae
Orixás: Ossaim e Ogum.
Elementos: Terra/masculino.
Planta originária da África, há algum tempo aclimatada no Brasil, principalmente na Bahia. No continente africano, ela é considerada árvore abundante, principalmente nas áreas de mercado onde são fincadas estacas de akòko e, quando os feirantes vão embora, os galhos enterrados brotam, dando origem a novas árvores; por isso, os iorubás lhe atribuem a fama de vegetal provedor de prosperidade.
Na cidade de Iré, local de culto a Ogum, na África, sob essa árvore são depositados os assentamentos desse orixá.
No Brasil as folhas de akòko são utilizadas nos rituais de iniciação, no àgbo e em banhos para todos os iniciados, independentemente de qual seja o orixá. São empregadas para compor oferendas, e podem ainda "em substituição ao são-gonçalinho, ser espalhadas no barracão nos dias de festas".
Respeitada como árvore sagrada, o akòko é utilizado tanto no culto aos orixás quanto nos terreiros egúngún, onde se cultuam os ancestrais ilustres, na Bahia.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

TANCHAGEM (EWÉ ÒPÁ)



FRIA. 
Nomes Populares: Transagem, Tansagem, Acatá, Carrajá, Tanchagem-terrestre, Erva-de-ovelha, 
Nome Científico: Plantago major L., PLANTAGINACEAE
Orixá: Obaluaiê.
Elementos: Terra/masculino.
Não deixa faltar o alimento, para o corpo e a alma. Ajuda a valorizar gente e objetos.
Planta herbácea nativa do Brasil e disseminada por toda a América tropical. Considerada planta daninha, pois invade gramados e pastagens, t~em ocorrência em todo território nacional.
A tanchagem é usada nos rituais das casas de candonblé em banhos purificatórios e no àgbo dos filhos de Obaluaiê, por extensão, é utilizada também para Nanã e Oxumarê.
Para viciados em álcool, a população do interior costuma "utilizar de oito a nove pendões (inflorescência) de tanchagem, curtidos em aguardente por um período de uma semana. Depois esse líquido é coado e dado à pessoa, sem que ela saiba que a pinga foi preparada, para que ela deixe de beber". Acredita-se que o alcoólatra enjoara da bebida.
É uma planta da família das plantagináceas. Devido às suas propriedades medicinais, a planta pode ser usada no tratamento de diversos males. Confira a seguir as propriedades e os benefícios da tanchagem.

Propriedades da tanchagem

A tanchagem tem propriedades adstringente, antibacteriana, redutora da irritação, expectorante, analgésica, anti-inflamatória, desintoxicante, cicatrizante, depurativa, descongestionante, digestiva, diurética, sedativa, laxativa, tônica.
O chá das folhas da tanchagem serve como cicatrizante, auxilia no combate à diarreia, aos problemas gastrointestinais, dores de dentes, além de desinflamar os gânglios, boca e garganta. As folhas limpas e escaldadas em água fervente aplicadas sobre feridas ou úlceras têm efeito cicatrizante e também servem contra lepra, mordida de cão e queimaduras. O chá morno serve para banho de assento em caso de leucorreia.
As folhas em forma de cataplasma curam feridas, fístulas e hemorroidas. A infusão de folhas pode ser utilizada em casos de hemorragias nasais, retenção de líquidos e para eliminar a tosse e mucosidades.
As folhas e espigas cozidas são indicadas para curar algumas afecções hepáticas e estomacais. Por ser um ótimo cicatrizante, bochechar o chá da tanchagem é um excelente remédio para aftas.

Indicações:

Infecções de pele;
Picadas de inseto;
Diarreia;
Inflamações de mucosas (garganta, útero, intestino ou faringe);
Rinite;
Sinusite;
Gripes e resfriados;
Inchaço;
Acne;
Queimaduras;
Gastrite;
Disenteria;
Varizes;
Hemorragia.

Como usar a tanchagem?
A planta pode ser utilizada em forma de chá, de cataplasma, uso tópico e/ou na culinária.
Chá: Usar 20g de folhas de tanchagem para 1 litro de água fervente. Colocar a água para ferver e adicionar as folhas. Logo que começar a fervura, contar três minutos e desligar o fogo. Deixar descansar até amornar durante 15 minutos e filtrar. O chá deve ser consumido durante o dia.
Uso tópico: No tratamento de lesões da pele, macerar as folhas e aplicar no local entre três e quatro vezes ao dia.
Culinária: Adicionar as folhas aos molhos.
Cataplasma: Aplique as folhas amassadas sobre a ferida por dez minutos e troque-as a seguir. Aplique três vezes ao dia.
Efeitos colaterais
O uso da tanchagem pode causar sonolência, cólica intestinal e desidratação.
Contraindicações
É recomendado evitar o uso da planta durante a gravidez, lactação e em indivíduos com doenças cardíacas. O pólen da planta pode causar alergia.


URTIGA (KAN-KAN)


QUENTE
Nomes Populares: Urtiga-miúda, Urtiga-queimadeira.
Nome Científico: Urtica dioica L., Urticaceae.
Orixá: Exu.
Elementos: Fogo/ masculino.
Limpa do mal, traz alegria, ajuda a criar novos caminhos e achar estradas e atalhos.
Planta que ocorre nas regiões nordeste ao sul do território nacional. Cultivada em outros países com fins medicinais.
Como a maioria das urtigas, é considerada como uma planta gún (excitação). É utilizada pulverizada "para provocar confusões", sendo indicada para sacralizar os objetos rituais de Exu.
Utilizada como depurativo do sangue, esta urticácea combate também urticárias, queimaduras, dermatoses, cáculos renais, anemia, reumatismo, hidropisia e diabetes.

URTIGÃO (JOJÒFÀ e ÁJÒFÀ)


QUENTE.
Nomes Populares: Urtiga-brava, Cansanção(AM).
Nomes Científicos: Urera baccifera (L.) Gaudich., Urticaceae; Urtica baccifera L.
Orixás: Exu e Ogum.
Elementos : Fogo/masculino.
Limpa do mal, traz alegria, ajuda a criar novos caminhos e achar estradas e atalhos.
Planta nativa da América tropical. ocorre nas Antilhas, Caribe, Américas Central e do Sul. No Brasil encontra-se disseminada pelo Nordeste e Sudeste do território nacional.
Suas folhas, nas casas-de-santo de origem jêje-nagô são consideradas quentes e de excitação (gún). São utilizadas na sacralização dos objetos rituais de Exu e para excitar Ogum "quando dele se deseja alguma coisa rapidamente". Torradas e pulverizadas, alguns afirmam que "são ótimas pra provocar confusão". Na umbanda, nos rituais denominados "prova-de-santo", era comum preparar-se uma salada de suas folhas, que deveria ser consumida por aqueles que estavam em transe com Exu ou Caboclo.
"A planta é fortemente urticante, causando dor intensa e dermatite, quando toca a pele nua" (Kissmann 1995:611).

CANSANÇÃO (EWÉ KANAN)


QUENTE. 
Nomes Populares: Cansanção-de-leite, Urtiga, urtiga-cansanção, Urtiga-mamão, Queimadeira, Pinha-queimadeira.
Nomes Científicos: Cnidoscolus urens (L.)Arth., Euphorbiaceae; Jatropha urens Muell. Arg.; Hibiscus trisectus Bertol.
Orixás: Exú e Xangô.
Elementos: Fogo/masculino.
Limpa do mal, traz alegria, ajuda a criar novos caminhos e achar estradas e atalhos.
Originária do continente americano, o cansanção-de-leite ocorre, praticamente, em todo o território brasileiro.
embora, nos terreiros jêje-nagôs, esta planta também seja atribuída a Xangô, suas folhas são utilizadas com mais freqüência em "trabalhos para separar casais e provocar desordens em alguns ambientes, pois têm a finalidade de excitar o orixá para trabalhos maléficos".
O látex extraído de seu caule é usado medicinalmente nos casos de erisipela, diretamente sobre a pele afetada. Todavia, por conter princípios tóxicos, alguns autores condenam a utilização desta planta, pois, quando encosta na epiderme sadia, provoca queimaduras que se transformam em ulcerações.