Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

sábado, 15 de agosto de 2015

ALFAVAQUINHA-DE-COBRA (RINRIN)


FRIA.
Nome Científico: Peperomia pellucida (L.)Kunth., Piperaceae
Orixás: Oxalá e Oxum.
Elementos: Água/feminino.
A alfavaquinha-de-cobra, conhecida na Bahia e Rio de Janeiro, é uma erva de origem africana que disseminou-se por todo o Brasil.Prolifera em lugares úmidos, sendo encontrada com facilidade em pedreiras, jardins, florestas sombreadas e mesmo em terrenos abandonados e beiras de calçadas.
Conhecida entre os erveiros pelo nome de orirí ou orirí-de-oxum, é fundamental nos rituais de iniciações e obrigações periódicas que ocorrem nos candomblés jejê-nagôs, entrando no àgbo de todos os orixás.
Verger (1992:30,31), citando um mito de Ifá, relata que: "Igbádù é a casa de Odú. Não se pode entrar na casa e olhar o interior, se não se esfregar antes os olhos com água de calma, composta de folha de òdúndún, tètè e rínrín, de limo da costa (karitê) e de água (contida no casco) de um caracol.
Todo babalaô que vai fazer o culto de Orumilá na floresta deve antes adorar Odù, sua esposa, no Igbádù, senão Orumilá não ouvirá seus pedidos e não saberá que este babalaô é seu filho".
É interessante notar a relação que essa erva tem com os olhos, seja no plano litúrgico, seja no fitoterápico. No plano litúrgico, ela pertence também a Oxum, que, na qualidade de Opará, é sincretizada com Santa Luzia, sendo ambas protetoras dos olhos. Na medicina popular, as pessoas do interior usam o sumo extraído do caule desse vegetal para combater irritações e inflamações oculares.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

SALSA-DA-PRAIA (GBÒRÒ AYABA)


FRIA.
Nomes Populares: Kissajá, Salsa-brava, Salsa-pé-de-cabra.
Nomes Científicos: Ipomoea pes-coprae (L.) R. Br., Convolvulaceae; Convolvulus pes-caprae L.; Convolvulus brasilliensis L.; Ipomoea brasilliensis (L.) G.F.W. Mey; Ipomoea biloba (Roseb.) farsk.
Orixá: Iemanjá.
Elementos: Água/feminino.
Planta rasteira nativa da América tropical, encontra-se hoje introduzida no continente africano. No Brasil ocorre com freqüência nos litorais das regiões norte ao sudeste. Kissmann (1992:572-II) diz que esta é uma "planta muito parecida com a de Ipomoea asarifolia. A literatura cita que uma diferença fundamental está no formato das folhas que, em Ipomoea pes-caprae, têm o ápice bilobado, lembrando um pé de cabra". Todavia, estas espécies se confundem, sendo às vezes difícil sua identificação, pois costumam ocorrer variações tanto nas folhas quanto nos frutos.
Embora pertencendo a Iemanjá, esta planta é utilizada para todos os orixás, pois tem uma importância significativa nos rituais de iniciação. sua folhas estão ligadas ao culto do orí (cabeça) quando se reverencia Iyá Orí, um dos títulos de Iemanjá, que literalmente significa a mãe das cabeças.
Verger (1995:683) classifica este vegetal como Ipomoea asarifolia (Ders.) Roem & Schult, e atribui-lhe os nomes iorubás tutúù, fenumónu, olúkànb e o mesmo nome utilizado no Brasil. 
A raiz da salsa-da-praia possui propriedades drásticas, e as folhas são empregadas nos casos de reumatismos, nevralgias, catarros crônicos e blenorragias.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

VASSOURINHA de RELÓGIO (ÀSARÁGOGO)


FRIA.
Nomes Populares:Vassourinha-mofina, Vassourinha, Zanza, Relógio, Mata-pasto, Guanxuma, Guanxuma-preta, Malva-preta.
Nomes Científicos: Sida rhombifolia L., Malvaceae; Sida alba Cav., non L.; Sida retusa L.
Orixá: Oxum.
Elementos: Água/feminino.
Planta encontrada como invasora de pastos e jardins, que tem origem no continente americano. Ocorre em todas regiões do Brasil, e com menor intensidade no sul dos Estados Unidos.
A vassourinha-de-relógio é uma planta muito utilizada em sacudimentos com a finalidade de descarregar pessoas e casas. Na iniciação, é utilizada na sacralização dos objetos rituais dos orixás.
Na África, entre os iorubás, é conhecida pelos nomes ifin e ewé ifin (Verger 1995:720), sendo usada com fins litúrgicos e medicinais.

VASSOURINHA DE OXUM (SEMIN-SEMIN) Misi misi



FRIA.
Nomes Populares: Vassourinha-doce, Vassourinha, Vassourinha-benta, Tapixaba.
Nomes Científicos: Scoparia dulcis L. Scrophulariaceae; Scoparia procumbens Jacq.; Scoparia ternata Farsk.
Orixás: Oxum e Iemanjá.
Planta nativa na América tropical. É encontrada em quase todo o território, principalmente nos Estados do Nordeste, Sudeste e Sul.
Conhecida popularmente entre os jêje-nagôs como vassourinha-de-oxum, esta planta tem diversas finalidades. Suas folhas são utilizadas em banhos purificatórios e sacudimentos. "Os galhos, dentro de um copo com água, sobre a mesa de jogo, servem para melhorar a clarividência e purificar o ambiente". suas raízes pulverizadas são empregadas no preparo de um sortilégio que é colocado sob a língua, com a finalidade de obter-se favores de outras pessoas.
Usada na liturgia iorubá, esta planta é conhecida pelos nomes òmisínmisín gogoro, mesénmesén gogoro, olómù yinrín, bímobímo e màyìnmàyìn, sendo empregada em "receita para acabar com a tosse", "trabalhos par persuadir as pessoas" e "trabalho para conquistar o coração de uma mulher" (Verger 1995:717,165,167,347.371)
O suco, a infusão ou o decocto deste vegetal é utilizado como fitofármaco para combater gripes, bronquites, catarro pulmonar, hemorróida e dores de ouvido. Considerada, ainda, emoliente, diurética, tônico do estômago e antifebril.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

BARONESA (ERESÍ MOMIN PALA)


FRIA.
Nomes Populares: Jacinto-d'água, Dama-do-lago, Murere, Orelha-de-veado.
Nomes Científicos: Elchhornia azurea (Sw.) Kunth., Pontederiaceae; Pontederia azurea Sw.; Pontederia aquatica Vell.
Orixá: Nanã
Elementos: Água/feminino.
Do mesmo modo que a Eichhornia crassipes, o jacinto-d'água é originário da região amazônica e vive no mesmo habitat do aguapé, estando amplamente disseminado pelos diversos continentes.
Nos candomblés brasileiros, esse vegetal é atribuído a Nanã, sendo utilizado também para Oxumarê e Obaluaiê, em banhos purificatórios para os iniciados, na sacralização e nos osé (limpeza) dos objetos rituais desses orixás. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

GOLFO-DE-FLOR-BRANCA (ÒSÍBÀTÁ)


FRIA.
Nomes Populares: Golfo-de-flor-amarela, Golfo-de-flor-vermelha, Golfo-de-flor-lilás.
Nomes Científicos: Nynphaea alba L., Nynphaeaceae; Nuphar luteum Sibt. et Smith; Nymphaea rubra Roxb. ex Salisb.; Nymphaea caerulea Andr. (=Nymphaea capensis Thunb).
Orixás: Oxalá, Iemanjá, Xangô, Oxum, Oiá, Obá, Nanã e Ewa.
Elementos: Água/feminino.
Planta aquática encontrada na Europa, Ásia, África e Américas, medrando na superfície de lagos e rios.
As várias espécies de golfo são usadas nos rituais de iniciação, àgbo e banhos purificatórios. O golfo-de-flor-branca entra "nas obrigações dos filhos de Oxalá, Iemanjá e algumas qualidades de Xangô que tem enredo com estes orixás". O golfo-de-flor-amarela (Nuphar luteum Sibt. ex salisb.) é utilizado para Oxum; o golfo-de-flor-vermelha (Nymphaea rubra Roxb. ex Salisb.) é usado para Iansã e Obá; e o golfo-de-flor-lilás (Nymphaea caerulea Andr. ou Nymphaea capensis Thunb)é indicado para Nanã e Ewa. "Nos rituais da obrigação dos sete anos, o òsíbàtá é planta indispensável a qualquer iniciado".
Na África, segundo Verger (1995:701), o espécime denominado òsíbàtá é o lótus (Nymphaea lotus L.), planta aquática de origem egípcia, considerada sagrada na antiguidade, que também é uma Nynphaeaceae. Hoje disseminada por diversos continentes, supomos ter sido substituída pelas espécies acima citadas, quando da chegada de escravos nagôs no Brasil, época em que o lótus ainda não medrava nas Américas.
As Nymphaea são consideradas anafrodisíacas, podendo, provavelmente, ter a função de tranqüilizar sexualmente os neófitos por ocasião de sua reclusão. Segundo Sangirardi Júnior (1981:156-159), referindo-se às diversas variedades de golfo, "...eram usados pelos anacoretas e nos claustros, conventos, seminários". Afirmando, ainda, que " a raiz que acalma o desejo do homem evita também a prenhez da mulher", sugere ser uma planta abortiva. Todavia, as funções terapêuticas do golfo são diversas, dentre elas, destacamos o combate às disenterias, diarréias e moléstias de pele.

domingo, 9 de agosto de 2015

PIMENTA-D'ÁGUA (AWÙRÉPÉPÉ)


FRIA.
Nomes Populares: Pimentinha-d'água, Agrião-do-pará, Jambu, Treme-treme, Agrião-do-brasil, Jambu-açu.
Nomes Científicos: Spilanthes acmella (L.) Murr. Asteraceae (Compositae); Spilanthes arrayana Gardn.; Spilanthes melampodioides Gardn.; Spilanthes pseudo-acmella (L.) Murr.; Acmella linnael Cass.; Verbesina acmella L.
Orixás: Exu (flor), Oxum e Oxalá (folhas).
Elementos: Água/feminino.
O agrião-do-pará é uma planta nativa da América do sul, que ocorre. praticamente, em todo o Brasil.
Dentre suas várias finalidades nos rituais jejê-nagôs, awùrépépé é utilizado no àgbo e, juntamente, akonijé (Aristolochia cymbifera), entra na "mistura do segredo da fala dos orixás". Considerado eró (de calma), "é uma folha boa para banhos de prosperidades e para lavar os olhos e os búzios". Suas flores estão ligadas a Exu; todavia, é um vegetal de destaque na liturgia, sendo visto como extremamente benéfico e exaltado no korin ewé (cântico sagrado):AWÙRÉPÉPÉ PÈLÉPÈLÉ BEÓ significando, AWÙRÉPÉPÉ ,sensatamente, abençoe-nos.
Utilizada na cozinha popular do norte, esta planta entra no preparo do tucupi, iguaria da culinária paraense. Como medicamento natural, suas folhas são utilizadas para combater o escorbuto, a anemia e as dispepsias. O extrato das flores é aplicado sobre o dente cariado para eliminar a dor, e o xarope feito com as folhas é utilizado como expectorante infantil.