Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

domingo, 4 de outubro de 2015

BATATA-DOCE (EWÉ KÚKÚNDÙNKÚ ou EWÉ ORÍ)


FRIA.
Nome Científico: Ipamoea batatas (l.) Poir. & Lam., Convolvulaceae
Orixás: Iemanjá, Ogum e Oxumarê.
Elementos: Água/feminino.
Caribé & Campos (1991:22), sobre esta convolvulácea, citam: “Nativa da América, há informações de que era cultivada no México e no Peru desde épocas pré-colombianas”.
Vegetal de grande importância e destaque entre os jejê-nagôs, tanto as folhas quanto os tubérculos têm uso litúrgico nas casas de candomblé brasileiras. As folhas são utilizadas em rituais de iniciação e entram nos banhos purificatórios de vários orixás, principalmente Iemanjá, Ogum e Oxumarê. Os tubérculos são oferecidos, juntamente com espigas de milho verde e laranjas, a Xangô Airá, por ocasião da festa em que é feita uma grande fogueira dedicada a este orixá, na noite da véspera do dia de São Pedro. Entram ainda na preparação de comidas que são colocadas como oferendas para Oxumarê e, juntamente com outros legumes, são utilizados em ebós pra diversas finalidades.
Na África, atribuem-lhe os nomes iorubas òdùnkún, ànàmó yáyá, òdùnkún àdùnmó e èdunmùsí (Verger 1995:684), além de kúkúndùnkú, que é o nome pelo qual é conhecido pelos nagôs brasileiros.

Segundo Cruz (1982:104), “as folhas são emolientes e seu cozimento serve para tumores e inflamações, sobre tudo na boca e da garganta, aplicando-se em gargarejos”.   

MACONHA (EWÉ IGBÓ)


QUENTE.
Nomes Populares: Cânhamo-da-índia, Cânhamo-verdadeiro, Fumo-de-angola, Diamba, Liamba.
Nome Científico: Cannabis sativa L., Cannabaceae
Orixá: Exu.
Elementos: Fogo/masculino.
Originário da Ásia, o cânhamo-da-índia aclimatou-se bem no Nordeste brasileiro e em outras áreas tropicais e subtropicais dos continentes.
Nos candomblés de Angola, a maconha é conhecida pelos nomes liamba ou diamba. Folha que no passado foi muito utilizada; atualmente, devido às proibições legais, seu uso é restrito aos trabalhos com Exu, especialmente na sacralização dos seus objetos rituais. Acredita-se que “seja boa para atrair dinheiro, mas também atrai brigas e confusões”.
Nas áreas rurais, o chá das folhas desse vegetal é utilizado como tranquilizante e analgésico no combate às enxaquecas, encefalias e dores de dente.


sábado, 3 de outubro de 2015

SAMAMBAIA-DE-POÇO (ÒMUN e ABERÉ-OJÒ)


FRIA.
Nome Popular: Lana-silvestre
Nome Científico: Thelypteris sp., Thelypteridaceae
Orixá: Oxumarê.
Elementos: Água/masculino.
Tipo de samambaia que vegeta em lugares úmidos, principalmente em beira de córregos, poços e pedreiras. Encontrada com facilidade nas regiões nordeste e sudeste do Brasil.
A folha é utilizada nos rituais de iniciação dos filhos de Oxumarê, mas também é usada para Nanã, Obaluaiê e Ossaim. Em algumas casas jejê-nagôs, este vegetal é conhecido pelo nome de aberé-ojò (aberé = agulha; ojò = cobra), sendo este nome traduzido como pente-de-cobra, provavelmente devido às folhas, que são dispostas lembrando o formato de um pente.  


domingo, 27 de setembro de 2015

CRISTA-DE-GALO (EWÉ OGBE ÀKÙKO)


QUENTE.
Nomes Populares: Heliotrópio, Borragem, Borragem-brava, Jacuacanga, Erva-de-São-Flacre, Aguaraá, Tiriri.
Nomes Científicos: Heliotropium indicum L., Borraginaceae, Heliotropium cordifolium Moench, Heliotropium horminifolium Mill., heliotropium foetidum Salisb., Heliotropium indicum D.C.
Orixá: Xangô.
Elementos: Fogo/masculino.
Originária da Ásia, a crista-de-galo é uma planta que ocorre na África e nas Américas; no Brasil, ela medra praticamente em todas as regiões.
Nos candomblés, em algumas casas, esta erva é utilizada para Oxossi, tendo ainda quem a use para Obaluaiê. Todavia, segundo informações colhidas em terreiros tradicionais da Bahia e do Rio de janeiro, esta planta, conhecida em Salvador pelo nome popular de bico-de-papagaio, pertence a Xangô. Suas folhas entram no oró (ritual de iniciação), no agbó e em banhos purificatórios dos iniciados. É ainda utilizada para preparar um caruru que é oferecido a Xangô.
Segundo Verger (1992:50/52), este vegetal, que na África é conhecido pelos nomes àgógo igún, ògún, ogbe àkùko, àkùko dúdú, àkùko funfun (Verger 1995:677), é citado nos mitos de Ifá e foi usado por Orumilá, juntamente com outras folhas, para acalmar a cólera das ìyámi contra a humanidade.
Em Cuba, a crista-de-galo é consagrada a Obatalá, e atribuem-lhe o nome lucumi aguéyí (Cabrera 1992:298). Todavia, Alguns “santeiros” atribuem este vegetal também a Oxum, sendo usado em banhos.
Na fitoterapia, é utilizada em gargarejos para combater aftas, ulcerações na garganta e faringe.


sábado, 26 de setembro de 2015

CAPIM-DE-BURRO (GBÈGI)


QUENTE.
Nomes Populares: Grama-seda, Capim-da-bermuda, Grama-da-bermuda, Capim-fino.
Nome Científico: Cynodon dactylon (L.) Pers., Paoceae (Gramineae).
Orixás: Xangô e Oxum.
Elementos: Terra/masculino.
A origem dessa planta é duvidosa, mas sabe-se ao certo que é uma planta proveniente de região tropical ou subtropical, atualmente disseminada por todos os continentes.
Liturgicamente, é utilizada em banhos para as pessoas dedicadas a Xangô ou Oxum, "com a finalidade de equilibrar a vida da pessoa". A sua característica de planta que prolifera nos campos e estradas, provavelmente por analogia, tem a finalidade de "dar bons caminhos às pessoas".
Na Nigéria, no culto aos orixás, esta gramínea é conhecida pelo nome iorubá koóko ìgbá (Verger 1995:659).
Como fitofármaco, freqüentemente as pessoas do interior utilizam raízes como diuréticas e antiabortivas.

sábado, 12 de setembro de 2015

TAMARINEIRO (ÀJÀGBAÓ)


FRIA.
Nome Científico: Tamarindus indica L., Leguminosae-Caesalpinloldeae
Orixás: Oxalá e Xangô.
Elementos: Ar/masculino.
Planta de origem africana, encontrada subespontânea em áreas tropicais e subtropicais, adaptando-se com facilidade em diversos tipos de solos.
Árvore de grande porte, o tamarineiro, no Brasil, é tido como sagrado e atribuído a Oxalá, daí algumas vezes ser chamado também de igi iwin. Segundo Santos, "os espíritos que residem em algumas árvores consideradas sagradas são chamados de Iwin... Todas as sacerdotizas de Òrisàlá, por exemplo, trazem o nome de Iwin (Iwin tólá, Iwin muiwá, Iwin solá, Iwin dùnsí etc.)" (1976:76,35). Alguns sacerdotes também associam o tamarineiro a Xangô, utilizando suas folhas em banhos purificatórios e em sacudimentos.
Cabrera (1992:547), na ilha de Cuba, cita o tamarindus indica como uma provável árvore de Oxalá (Dueño: Obatalá[?]) atribuindo-lhe o nome lucumi iggi iyágbon.
Os iorubás no continente africano, dão a esta árvore o nome de àjàgbon (Verger 1995:727)

Suas folhas maceradas são utilizadas pela população do interior na higiene bucal cotidiana em substituição ao creme dental.Sob a forma de chá, em bochecho, é eficaz contra dores de dentes. A polpa do fruto, utilizada como refresco, é digestiva e laxante. Como "simpatia", utilizam-se folhas de tamarineiro colocadas sob o travesseiro para proporcionar sono tranqüilo às pessoas agitadas e que sofrem de insônia.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

FOLHA-DE-FOGO (EWÉ INÓN)


QUENTE.
Nomes Populares: Branda-fogo, Folha-de-Iansã, Pixirica, Anhanga.
Nomes Científicos: Clidemia hirta Ball., Melastomataceae; Clidemia crenata D.C.; Clidemia elegans Dun.; Melastoma elegans Aubl.; Melastoma hirtun L.
Orixás: Exu, Oiá e Xangô.
Elementos: Fogo/feminino.
Planta encontrada em vasta faixa do território nacional, principalmente no Nordeste e Sudeste.
Colhida pela manhã, antes do sol nascer, esta folha pertence a Oiá e Xangô, servindo para "banhos de descarregos e sacudimentos"; apanhada sob o sol do meio-dia, ela pertence a Exu e serve para fazer diversos sortilégios e malefícios.
Sendo uma planta muito conhecida da população rural, a folha-de-fogo é, também, utilizada medicinalmente contra palpitações do coração, afecções das vias urinárias e do aparelho genital, sífilis, erupções cutâneas, feridas rebeldes, moléstias da pele em geral e coceiras.