Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

domingo, 23 de agosto de 2015

MALVA-BRANCA (ÀSÍKÙTÁ E EFIN FUNFUN)


FRIA.
Nomes Populares: Guanxuma, Malva-veludo, Guaxima, Malva.
Nome Científico: Sida cordifolia L., Malvaceae
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino.
Encontrada em áreas tropicais de vários continentes, esta planta é nativa das Américas e ocorre do sul dos Estados Unidos até a Argentina. NoBrasil é encontrada em grandes concentrações nos Estados do Norte, Nordeste e Sudeste.
Conhecida também nos candomblés brasileiros pelos nomes de efin, esta planta entra na composição de àgbo e em banhos purificatórios nas casas-de-santo. Sendo utilizada por todos, principalmente aqueles ligados a Oxalá, Iemanjá, Oxum e Oxossi; todavia, nos batuques rio-grandenses, esta planta é utilizada em banhos e rituais para Xapanã.
Empregadas na liturgia pelos iorubas, é conhecida na Nigéria pelo nome èkuru oko (Verger1995:720).
Benefícios e indicações de uso da malva: A malva auxilia no tratamento dos casos de aftas, bronquites, catarros, faringites e tosse, além de infecções na boca, garganta e laringe e alivia o mau hálito. As compressas das folhas da planta servem para tratar queimaduras de sol; gargarejos com o chá tratam inflamações da boca (gengivite e afta) e garganta. A planta é também utilizada no tratamento de úlcera, gastrite, prisão de ventre, emplastro para curar abscessos e cólicas intestinais. Quando usada em cataplasmas e compressas, a malva possui ação cicatrizante, amenizando acnes, furúnculos e deixando uma sensação de frescor na pele. As folhas da malva-branca possuem propriedades emolientes e, amassadas, são aplicadas sobre picadas de vespas. O decocto das raízes é usado, externamente, para combater a blenorragia.


sábado, 22 de agosto de 2015

ARROZINHO (SÈNÍKAWÁ)


FRIA.
Nomes Populares: Carrapicho, Orelha-de-caxinguelê. Alfafa-do-campo, Urinária.
Nomes Científicos: Zornia diphylla Pers., Leguminosae; Zornia latifólia Smith., Leguminosae; Zornia reticulata, Fabaceae.
Orixás: Ewá e Ossaim.
Elementos: Água/masculino.
Vegetal amplamente disperso pela América do Sul, encontrado também no continente africano.
Planta utilizada nos rituais de iniciação, que, segundo Barros(1993:110),
Seu nome nagô significa “ter que vir”. Provavelmente, uma alusão ao chamar-se o orixá para que ele incorpore seu ìyàwó.
Segundo Verger (1995:737), este vegetal é conhecido dos iorubas, na África, com o nome de è, terminologia dada na África a diversos tipos de plantas que possuem frutos pegajosos (carrapichos).
Considerada diurética, laxante, é usada contra diarreias, Externamente, em massagem para reumatismo.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

NEVES (JOBÓ e LÀTÓRIJÉ)


FRIA.
Nomes Populares: Alfazema-de-caboclo, Alfazema-brava, Macaé, Mercúrio-do-campo, Poejo-do-brejo.
Nomes Científicos: Hyptis pectinata (L.) Poit., Lamiaceae; Nepeta pectinata L.; Clinopodium imbricatum Vell.
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino.
Considerada uma planta pantropical, esta espécie de hyptis ocorre amplamente nas Américas, desde o México até o Sudeste brasileiro.
Conhecida também pelo nome jejê-nagô làtórijé, essa planta é atribuída a Oxalá. Entra nos rituais de iniciação e em banhos purificatórios de todos os adeptos.
Na África é conhecida entre os iorubas pelos nomes jógbó e olátorije (Verger 1995:682)
Na medicina popular é empregada como estimulante, sudorífera e béquica.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

BÉTIS-BRANCO (EWÉ BOYÍ FUNFUN)


FRIA.
Nomes Científicos: Piper rivinoides Kunth., Piperaceae
Orixás: Oxalá e Iemanjá.
Elementos: Água/feminino.
Planta nativa brasileira que medra em matas úmidas e sombreadas de clima tropical, mais freqüente nas regiões nordeste e sudeste do país.
Utilizada nos rituais de iniciação e banhos de purificação para todos, “pois, sendo de Oxalá, seu uso é permitido a qualquer filho-de-santo”.
Medicinalmente, como ocorre com outras plantas do gênero piper, possui propriedades diuréticas e cicatrizantes.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

DAMA-DA-NOITE (ÀLÚKERÉSÉ)


FRIA.
Nomes Populares: Campainha, Corriola-da-noite, Boa-noite, Abre-noite-fecha-dia.
Nomes Científicos: Ipomoea alba L., Convolvulaceae; Convolvulus aculeatus L.; Convolvulus aculeatos var. bona-nox L.; Ipomoea bona-nox L.; Colonyction bona-nox (L.) Boj.; Colonyction aculeatum Choisy
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino.
Planta originária da América tropical, dispersa por todos os continentes, sendo uma espécie freqüente e bastante disseminada no território brasileiro. Kissmann (1992:522-II) relata a existência das variedades gigantea, muricata e vulgaris no Nordeste brasileiro, e Pott & Pott (1994:98) mencionam que o cálice (flores brancas) é utilizado como comestível em sopas e que as sementes eram usadas pelos escravos como sucedâneo do café.
Nos cultos de origem jejê-nagô, as folhas da dama-da-noite são utilizadas na iniciação dos filhos de Oxalá e em “banhos de prosperidade”, pois acredita-se que, sendo um vegetal de fácil expansão e que produz farta ramificação, por analogia, no plano litúrgico, está associado a fartura.
Sob as denominações iorubas de àlùkérése, àlùkérése pupa, afàkájù, òdódó oko e òdódó odò, Verger (1995:684) dá a classificação científica de Ipomoea involucrata P. Beauv., a qual não conseguimos determinar se é sinonímia da I. alba ou se se trata de outra espécie.
Como fitofármaco, o banho feito com os ramos desta convolvulácea é tido como um tratamento eficaz nos casos de reumatismo, servindo ainda para “amolecer inflamações cutâneas”.


terça-feira, 18 de agosto de 2015

JEQUIRITI (WÉRÉNJÉJÉ)


QUENTE.
Nomes Populares: Arvoeiro, Olho-de-pombo, Tenta-miúdo, Cipó-de-alcaçuz, Tentinho, Assacu-mirim, Carolina-miúda, Tento-da-américa, Piriquiti.
Nomes Científicos: Abrus precatorius L., Leguminosae-Faboideae; Abrus abrus Weight; Abrus maculatus Noronha; Abrus minor Dess.; Abrus panciflorus Dess.; Abrus squamulosos E. Ney
Orixás: Ossaim e Exu
Elementos: Terra/masculino.
Encontrada em áreas tropicais nas Américas, Índia e África, sua origem, todavia, é discutível. No Brasil, ocorre principalmente no Norte, Nordeste e Sudeste.
Folha misteriosa, o jequiriti entra no orò de iniciação de todos os filhos-de-santo, pois existe uma estreita ligação deste vegetal com Exu, sendo esta entidade a primeira a ser cultuada nos rituais de iniciação. “É, no seu papel de princípio dinâmico, de princípio de vida individual e de Òjise ou elemento de comunicação que Èsù Bara está indissoluvelmente ligado à evolução e ao destino de cada indivíduo. Como tal, ele também é Senhor dos Caminhos, Èsù-Òna, e pode abri-los ou fecha-los...” (Santos 1976:169). A utilização do jequiriti, provavelmente como a primeira folha do àgbo, tem por finalidade, através do Bara (Exu pessoal), proporcionar ao iniciado novos e melhores caminhos a partir da feitura do orixá, que representa o nascimento para uma nova vida. Em outras circunstâncias, suas sementes são utilizadas para trabalhos maléficos e, se pisada por alguém, tem a capacidade de gerar brigas e desordens.

Nos centros de umbanda, as sementes do jequiriti são atribuídas a Exu e servem para confeccionar colares, que são usados pelos adeptos, com a finalidade de afastar pessoas negativas e invejosas.
Nas “santerias” cubanas, o jequiriti é conhecido pelos nomes lucumis ewé-réyeye ou iggereyeye. As semente e folhas também entram num “omieró” especifico para iniciados; porém, os pequenos tentos são considerados perigosos, pois provocam brigas e desordens, e com eles se fazem trabalhos maléficos (Cabrera 1992:514).
Na África esta leguminosa é conhecida ainda pelos nomes aládùn, adágbé, makò, méénmésén, méénmésén ìtàkùn, mísínmísìn, ojú eyelé, ojú ológbò, olá-tògégé e pákùn obarìsà, sendo utilizada em trabalhos para preservar a saúde, tais como “receita para acabar com a tosse” e “receita para resolver gravidez de mais de nove meses”, como também em “trabalho para ajudar alguém a ser possuído por Xangô”, “trabalho para persuadir as pessoas” e “proteção contra envenenamento” (Verger 1995:625,165,289,303,347,457)
As sementes do jequiriti são empregadas há muito tempo, no Brasil, no tratamento de doença dos olhos, principalmente conjuntivite grânulos rebelde; todavia, é necessário cautela ao usá-las, devido seu alto teor de abrina, o princípio ativo dessa planta, uma albumina tóxica, que, ingerida, pode provocar a morte. As folhas e raízes, maceradas, são indicadas nos casos de afecções pulmonares, urinárias e do ventre.


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

ORELHA-DE-MACACO (EWÉ OGBÓ)


QUENTE.
Nomes Populares: Rama-de-leite, Cipó-de-leite, Folha-de-leite, orelha-de-macaco.
Nomes Científicos: Periploca nigrescens Afzel., Asclepladaceae; Parquetina nigrescens (Afzel) Bullock.
Orixás: Oxossi e Ossaim.
Elementos: Terra/masculino.
Planta originária da África tropical, trazida pelos nagôs para o Brasil, onde está aclimatada, sendo encontrada em florestas sombreadas ou cultivadas para fins ritualísticos.
O ogbó é um vegetal que entra na iniciação de todos os filhos de santo. É utilizado tanto em banhos quanto em ritual associado a outras plantas para retirar a consciência mediúnica dos iniciados, seu efeito só se faz presente quando catalisados por determinadas folhas.
Conta um mito muito popular nos candomblés que “esta foi a primeira folha liberada por Ossaim, para ser utilizada por Oxossi”.

Na África recebe ainda os nomes ogbó pupa, ogbó funfun, asogbókan, asóbomo e gbólogbòlo, e utilizam-na liturgicamente para tratar a epilepsia (Verger 1995:265,704).