Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

terça-feira, 11 de agosto de 2015

BARONESA (ERESÍ MOMIN PALA)


FRIA.
Nomes Populares: Jacinto-d'água, Dama-do-lago, Murere, Orelha-de-veado.
Nomes Científicos: Elchhornia azurea (Sw.) Kunth., Pontederiaceae; Pontederia azurea Sw.; Pontederia aquatica Vell.
Orixá: Nanã
Elementos: Água/feminino.
Do mesmo modo que a Eichhornia crassipes, o jacinto-d'água é originário da região amazônica e vive no mesmo habitat do aguapé, estando amplamente disseminado pelos diversos continentes.
Nos candomblés brasileiros, esse vegetal é atribuído a Nanã, sendo utilizado também para Oxumarê e Obaluaiê, em banhos purificatórios para os iniciados, na sacralização e nos osé (limpeza) dos objetos rituais desses orixás. 

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

GOLFO-DE-FLOR-BRANCA (ÒSÍBÀTÁ)


FRIA.
Nomes Populares: Golfo-de-flor-amarela, Golfo-de-flor-vermelha, Golfo-de-flor-lilás.
Nomes Científicos: Nynphaea alba L., Nynphaeaceae; Nuphar luteum Sibt. et Smith; Nymphaea rubra Roxb. ex Salisb.; Nymphaea caerulea Andr. (=Nymphaea capensis Thunb).
Orixás: Oxalá, Iemanjá, Xangô, Oxum, Oiá, Obá, Nanã e Ewa.
Elementos: Água/feminino.
Planta aquática encontrada na Europa, Ásia, África e Américas, medrando na superfície de lagos e rios.
As várias espécies de golfo são usadas nos rituais de iniciação, àgbo e banhos purificatórios. O golfo-de-flor-branca entra "nas obrigações dos filhos de Oxalá, Iemanjá e algumas qualidades de Xangô que tem enredo com estes orixás". O golfo-de-flor-amarela (Nuphar luteum Sibt. ex salisb.) é utilizado para Oxum; o golfo-de-flor-vermelha (Nymphaea rubra Roxb. ex Salisb.) é usado para Iansã e Obá; e o golfo-de-flor-lilás (Nymphaea caerulea Andr. ou Nymphaea capensis Thunb)é indicado para Nanã e Ewa. "Nos rituais da obrigação dos sete anos, o òsíbàtá é planta indispensável a qualquer iniciado".
Na África, segundo Verger (1995:701), o espécime denominado òsíbàtá é o lótus (Nymphaea lotus L.), planta aquática de origem egípcia, considerada sagrada na antiguidade, que também é uma Nynphaeaceae. Hoje disseminada por diversos continentes, supomos ter sido substituída pelas espécies acima citadas, quando da chegada de escravos nagôs no Brasil, época em que o lótus ainda não medrava nas Américas.
As Nymphaea são consideradas anafrodisíacas, podendo, provavelmente, ter a função de tranqüilizar sexualmente os neófitos por ocasião de sua reclusão. Segundo Sangirardi Júnior (1981:156-159), referindo-se às diversas variedades de golfo, "...eram usados pelos anacoretas e nos claustros, conventos, seminários". Afirmando, ainda, que " a raiz que acalma o desejo do homem evita também a prenhez da mulher", sugere ser uma planta abortiva. Todavia, as funções terapêuticas do golfo são diversas, dentre elas, destacamos o combate às disenterias, diarréias e moléstias de pele.

domingo, 9 de agosto de 2015

PIMENTA-D'ÁGUA (AWÙRÉPÉPÉ)


FRIA.
Nomes Populares: Pimentinha-d'água, Agrião-do-pará, Jambu, Treme-treme, Agrião-do-brasil, Jambu-açu.
Nomes Científicos: Spilanthes acmella (L.) Murr. Asteraceae (Compositae); Spilanthes arrayana Gardn.; Spilanthes melampodioides Gardn.; Spilanthes pseudo-acmella (L.) Murr.; Acmella linnael Cass.; Verbesina acmella L.
Orixás: Exu (flor), Oxum e Oxalá (folhas).
Elementos: Água/feminino.
O agrião-do-pará é uma planta nativa da América do sul, que ocorre. praticamente, em todo o Brasil.
Dentre suas várias finalidades nos rituais jejê-nagôs, awùrépépé é utilizado no àgbo e, juntamente, akonijé (Aristolochia cymbifera), entra na "mistura do segredo da fala dos orixás". Considerado eró (de calma), "é uma folha boa para banhos de prosperidades e para lavar os olhos e os búzios". Suas flores estão ligadas a Exu; todavia, é um vegetal de destaque na liturgia, sendo visto como extremamente benéfico e exaltado no korin ewé (cântico sagrado):AWÙRÉPÉPÉ PÈLÉPÈLÉ BEÓ significando, AWÙRÉPÉPÉ ,sensatamente, abençoe-nos.
Utilizada na cozinha popular do norte, esta planta entra no preparo do tucupi, iguaria da culinária paraense. Como medicamento natural, suas folhas são utilizadas para combater o escorbuto, a anemia e as dispepsias. O extrato das flores é aplicado sobre o dente cariado para eliminar a dor, e o xarope feito com as folhas é utilizado como expectorante infantil.

sábado, 8 de agosto de 2015

FUMO (ETÁBA ou ASÁ)


FRIA.
Nomes Populares: Tabaco, Fumo.
Nomes Científicos: Nicotiana tabacum L., Solanaceae; Tabacum nicotianum Bercht. et Opiz.; Nicotiana macrophylla Spreng.
Orixá: Oxalá.
Elementos: Ar/feminino
Planta nativa do Brasil, encontrada nas Américas do Sul e Central. Cultivada em Cuba e na Bahia com fins comerciais. Levada para a África na época das colônias, o fumo produzido de suas folhas era utilizado em escambos ou trocado por escravos.
Nos candomblés, a folha de fumo entra nos rituais de iniciação e no àgbo dos filhos-de-santo devotos de Oxoguian (tipo de Oxalá novo e guerreiro). O fumo-de-rolo é utilizado em diversas oferendas para Odu, Ossaim, Exu, caboclos, pretos-velhos e voduns. Os charutos são muito apreciados por Exus e Pombas-giras nos centros de umbanda.

Na África, os iorubás conhecem este vegetal pelos nomes tábà ou tábà èsù (Verger 1995:700).
Embora muito combatido nos dias atuais, segundo Cruz (1982:362), "o fumo é, inquestionavelmente, planta energética no tratamento de várias afecções, pelo que chegou a ter o nome de erva santa. Hoje é empregado com cautela, nos casos de tétanos, e como parasiticida; com ou sem razão, tem sido aconselhado para fumar-se em certos casos de afecções cardíacas; nas odontolgias é eficaz. Sua maior importância é pelo lado industrial, para fabricação de charutos, cigarros e rapé, e para mascar".
Na lavoura, o fumo de rolo em infusão é utilizado como defensivo natural no combate a algumas pragas.
Existem mais de 60 espécies do tabaco, no entanto, apenas a nicotiana tabacum sintetiza a nicotina, um alcaloide que estimula a síntese de dopamina no cérebro, provocando uma sensação de bem estar.

Propriedades e benefícios

Os princípios ativos do tabaco incluem a nicotina, cotinina, miosmina, nicotirina, anabasina e nicotelina. Além disso, nesta planta também são encontradas várias outras substâncias, dentre as quais estão algumas muito tóxicas, como a terebentina, o formol, amônia e naftalina.
O tabaco é uma planta bastante controversa e polêmica: no passado, acreditava-se que o tabaco era um ótimo remédio para muitas doenças, dentre as quais estão as dores de cabeça, males do estômago, úlceras, enxaqueca, gengivite e dor de dente. No entanto, a partir do século XVII, esta planta começou a receber críticas e, em meados do século XX, algumas pesquisas científicas comprovaram que o tabaco provoca câncer.
No contato dos colonizadores portugueses com os indígenas brasileiros, os primeiros aprenderam a usar a planta como cicatrizante de feridas e como fumo para espantar o tédio. Em Portugal, a planta passou a ser chamada de “erva santa” ou “erva das índias”, devido às suas propriedades medicinais, como anti-inflamatória, antiparasitária, hipertensora, narcótica, sedativa, vermífuga e inseticida.
Embora tenha sido usada para tratar doenças no passado, a eficácia de seu uso medicinal ainda não comprovada. Nos últimos anos, pesquisadores israelenses modificaram geneticamente o tabaco e, a partir dele, criaram a artemisinina, uma droga que age rapidamente contra a malária.

Modos de usar o tabaco
As formas de uso mais comum do tabaco são fumá-lo ou inalá-lo através de cigarro, charuto, cachimbo e rapé. A infusão de suas folhas pode ser usada externamente para tratar sarna, piolhos, carrapatos, dores de dente e picada de insetos.

Contraindicações e efeitos colaterais
O tabaco é contraindicado para crianças, gestantes e nutrizes. O consumo da planta na forma de cigarro pode causar várias doenças, como câncer, enfisema pulmonar, infecção das vias respiratórias e pneumonia.
Quando utilizado em altas doses, pode reduzir a pressão arterial, causar tremores nas mãos, cefaleia, tontura, fraqueza nas pernas, perda de apetite, salivação, espamas, dores do peito, problemas na digestão, náusea, diarreia, vômitos e falência cardiorrespitatória.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

AZEDINHA do BREJO (ÌMU)


FRIA.
Nomes Populares: Erva-saracura, Erva-do-sapo, Erva-azeda, azeda-de-ourives, Begônia ou Azedinha.
Nomes Científicos: Begonia fischeri Schrank., Begoniaceae; Begonia cucculata, Begoniaceae; Begonia acida Vell.; Begonia bahiensis D.C.
Orixás: Iemanjá, Oxalá e Nanã.
Elementos: Água/feminino.
Planta de origem brasileira, ocorrendo em quase território nacional, principalmente e com mais abundância nas regiões úmidas do Nordeste e Sudeste. É uma planta muito delicada, e por sua beleza é freqüentemente cultivada em jardins.
Utilizada nos rituais de iniciação, banhos purificatórios e na sacralização dos objetos rituais de iniciação dos orixás, é considerada por muitos uma planta exclusiva de Iemanjá; porém, existe discordância, pois alguns a atribuem a Oxalá ou Nanã.
A folha, quando mastigada, tem sabor azedo, porém agradável, sendo indicada no combate ao catarro da bexiga, diarréias, disenterias, escorbutos e sapinho de recém-nascidos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

GAMELEIRA-BRANCA (ÌRÓKÒ)


QUENTE
Nomes Populares: Gameleira, Figueira, Tatajuba, Iroco, Figueira-branca, Figueira-brava, Figueira-grande.
Nomes Científicos: Clorophora excelsa, Moraceae ou Ficus doliaria M.art., Moraceae
Orixás: Oxalá, Ìrókò e Exu.
Elementos: Fogo/masculino.
Ajuda na cura de doenças graves. Afasta a morte.
No Brasil, a gameleira substitui o verdadeiro ìrókò africano (Chlorophora excelsa [Welw.] Benth & Hook.), que também é uma morácea conhecida, naquele continente, pelos nomes iorubás èrò ìrókò, ìrókò aládé oko, ìrókò èwò, ìràwé igbó (verger 1995:647). A árvore africana faz parte do rol de vegetais do culto de Ifá, e foi sobre ela que as feiticeiras pousaram, mas não conseguiram permanecer, pois seus frutos não as satisfaziam. Foi a terceira árvore onde as ìyámi tentaram se estabelecer, mas não tiveram sorte.
A gameleira é considerada, dentro dos cultos nagôs, no Brasil, um vegetal sagrado e respeitado como moradia e local de adoração da entidade fitomórfica de origem jejê-nagô, Ìrókò, que, quando se manifesta em seus iniciados, se assemelha muito a Xangô. Também é atribuída a Oxalá, pois, no oriki (recitações) em que esta árvore está relacionada com os orixás da criação (Oxalás), ela é reverenciada como "Ìrókò! Oluwéré, Ògìyán Èlèijù, que se pode traduzir livremente por: Ìrókò, árvore proeminente entre todas as outras, o Òrìsà-funfun (Ògìyán) do âmago da floresta" (Santos 1979:77). Suas folhas são usadas em rituais de iniciação nas casas de candomblés, no àgbo dos filhos desse orixá e em banhos para problemas graves de saúde, "não devendo ser empregadas pra outras coisas, pois é folha muito quente que, quando se colhe, tem que fazer ritual, porque depois do meio-dia é de Exu e não cura". É útil, ainda, em casos de doenças graves, pois é crença comum que "as folhas da gameleira sob o travesseiro do doente têm poderes para espantar a morte".
A madeira da gameleira, por ser macia, é utilizada na confecção de canoas e gamelas artesanais, daí o nome gameleira. 


terça-feira, 4 de agosto de 2015

AKÒKO


FRIA
Nomes Populares: Acocô, Primeira-folha
Nome Científico: Newboldia laevis Seem, Bignoniaceae
Orixás: Ossaim e Ogum.
Elementos: Terra/masculino.
Planta originária da África, há algum tempo aclimatada no Brasil, principalmente na Bahia. No continente africano, ela é considerada árvore abundante, principalmente nas áreas de mercado onde são fincadas estacas de akòko e, quando os feirantes vão embora, os galhos enterrados brotam, dando origem a novas árvores; por isso, os iorubás lhe atribuem a fama de vegetal provedor de prosperidade.
Na cidade de Iré, local de culto a Ogum, na África, sob essa árvore são depositados os assentamentos desse orixá.
No Brasil as folhas de akòko são utilizadas nos rituais de iniciação, no àgbo e em banhos para todos os iniciados, independentemente de qual seja o orixá. São empregadas para compor oferendas, e podem ainda "em substituição ao são-gonçalinho, ser espalhadas no barracão nos dias de festas".
Respeitada como árvore sagrada, o akòko é utilizado tanto no culto aos orixás quanto nos terreiros egúngún, onde se cultuam os ancestrais ilustres, na Bahia.