Árvore do Conhecimento

Árvore do Conhecimento

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

TANCHAGEM (EWÉ ÒPÁ)



FRIA. 
Nomes Populares: Transagem, Tansagem, Acatá, Carrajá, Tanchagem-terrestre, Erva-de-ovelha, 
Nome Científico: Plantago major L., PLANTAGINACEAE
Orixá: Obaluaiê.
Elementos: Terra/masculino.
Não deixa faltar o alimento, para o corpo e a alma. Ajuda a valorizar gente e objetos.
Planta herbácea nativa do Brasil e disseminada por toda a América tropical. Considerada planta daninha, pois invade gramados e pastagens, t~em ocorrência em todo território nacional.
A tanchagem é usada nos rituais das casas de candonblé em banhos purificatórios e no àgbo dos filhos de Obaluaiê, por extensão, é utilizada também para Nanã e Oxumarê.
Para viciados em álcool, a população do interior costuma "utilizar de oito a nove pendões (inflorescência) de tanchagem, curtidos em aguardente por um período de uma semana. Depois esse líquido é coado e dado à pessoa, sem que ela saiba que a pinga foi preparada, para que ela deixe de beber". Acredita-se que o alcoólatra enjoara da bebida.
É uma planta da família das plantagináceas. Devido às suas propriedades medicinais, a planta pode ser usada no tratamento de diversos males. Confira a seguir as propriedades e os benefícios da tanchagem.

Propriedades da tanchagem

A tanchagem tem propriedades adstringente, antibacteriana, redutora da irritação, expectorante, analgésica, anti-inflamatória, desintoxicante, cicatrizante, depurativa, descongestionante, digestiva, diurética, sedativa, laxativa, tônica.
O chá das folhas da tanchagem serve como cicatrizante, auxilia no combate à diarreia, aos problemas gastrointestinais, dores de dentes, além de desinflamar os gânglios, boca e garganta. As folhas limpas e escaldadas em água fervente aplicadas sobre feridas ou úlceras têm efeito cicatrizante e também servem contra lepra, mordida de cão e queimaduras. O chá morno serve para banho de assento em caso de leucorreia.
As folhas em forma de cataplasma curam feridas, fístulas e hemorroidas. A infusão de folhas pode ser utilizada em casos de hemorragias nasais, retenção de líquidos e para eliminar a tosse e mucosidades.
As folhas e espigas cozidas são indicadas para curar algumas afecções hepáticas e estomacais. Por ser um ótimo cicatrizante, bochechar o chá da tanchagem é um excelente remédio para aftas.

Indicações:

Infecções de pele;
Picadas de inseto;
Diarreia;
Inflamações de mucosas (garganta, útero, intestino ou faringe);
Rinite;
Sinusite;
Gripes e resfriados;
Inchaço;
Acne;
Queimaduras;
Gastrite;
Disenteria;
Varizes;
Hemorragia.

Como usar a tanchagem?
A planta pode ser utilizada em forma de chá, de cataplasma, uso tópico e/ou na culinária.
Chá: Usar 20g de folhas de tanchagem para 1 litro de água fervente. Colocar a água para ferver e adicionar as folhas. Logo que começar a fervura, contar três minutos e desligar o fogo. Deixar descansar até amornar durante 15 minutos e filtrar. O chá deve ser consumido durante o dia.
Uso tópico: No tratamento de lesões da pele, macerar as folhas e aplicar no local entre três e quatro vezes ao dia.
Culinária: Adicionar as folhas aos molhos.
Cataplasma: Aplique as folhas amassadas sobre a ferida por dez minutos e troque-as a seguir. Aplique três vezes ao dia.
Efeitos colaterais
O uso da tanchagem pode causar sonolência, cólica intestinal e desidratação.
Contraindicações
É recomendado evitar o uso da planta durante a gravidez, lactação e em indivíduos com doenças cardíacas. O pólen da planta pode causar alergia.


URTIGA (KAN-KAN)


QUENTE
Nomes Populares: Urtiga-miúda, Urtiga-queimadeira.
Nome Científico: Urtica dioica L., Urticaceae.
Orixá: Exu.
Elementos: Fogo/ masculino.
Limpa do mal, traz alegria, ajuda a criar novos caminhos e achar estradas e atalhos.
Planta que ocorre nas regiões nordeste ao sul do território nacional. Cultivada em outros países com fins medicinais.
Como a maioria das urtigas, é considerada como uma planta gún (excitação). É utilizada pulverizada "para provocar confusões", sendo indicada para sacralizar os objetos rituais de Exu.
Utilizada como depurativo do sangue, esta urticácea combate também urticárias, queimaduras, dermatoses, cáculos renais, anemia, reumatismo, hidropisia e diabetes.

URTIGÃO (JOJÒFÀ e ÁJÒFÀ)


QUENTE.
Nomes Populares: Urtiga-brava, Cansanção(AM).
Nomes Científicos: Urera baccifera (L.) Gaudich., Urticaceae; Urtica baccifera L.
Orixás: Exu e Ogum.
Elementos : Fogo/masculino.
Limpa do mal, traz alegria, ajuda a criar novos caminhos e achar estradas e atalhos.
Planta nativa da América tropical. ocorre nas Antilhas, Caribe, Américas Central e do Sul. No Brasil encontra-se disseminada pelo Nordeste e Sudeste do território nacional.
Suas folhas, nas casas-de-santo de origem jêje-nagô são consideradas quentes e de excitação (gún). São utilizadas na sacralização dos objetos rituais de Exu e para excitar Ogum "quando dele se deseja alguma coisa rapidamente". Torradas e pulverizadas, alguns afirmam que "são ótimas pra provocar confusão". Na umbanda, nos rituais denominados "prova-de-santo", era comum preparar-se uma salada de suas folhas, que deveria ser consumida por aqueles que estavam em transe com Exu ou Caboclo.
"A planta é fortemente urticante, causando dor intensa e dermatite, quando toca a pele nua" (Kissmann 1995:611).

CANSANÇÃO (EWÉ KANAN)


QUENTE. 
Nomes Populares: Cansanção-de-leite, Urtiga, urtiga-cansanção, Urtiga-mamão, Queimadeira, Pinha-queimadeira.
Nomes Científicos: Cnidoscolus urens (L.)Arth., Euphorbiaceae; Jatropha urens Muell. Arg.; Hibiscus trisectus Bertol.
Orixás: Exú e Xangô.
Elementos: Fogo/masculino.
Limpa do mal, traz alegria, ajuda a criar novos caminhos e achar estradas e atalhos.
Originária do continente americano, o cansanção-de-leite ocorre, praticamente, em todo o território brasileiro.
embora, nos terreiros jêje-nagôs, esta planta também seja atribuída a Xangô, suas folhas são utilizadas com mais freqüência em "trabalhos para separar casais e provocar desordens em alguns ambientes, pois têm a finalidade de excitar o orixá para trabalhos maléficos".
O látex extraído de seu caule é usado medicinalmente nos casos de erisipela, diretamente sobre a pele afetada. Todavia, por conter princípios tóxicos, alguns autores condenam a utilização desta planta, pois, quando encosta na epiderme sadia, provoca queimaduras que se transformam em ulcerações.

sábado, 1 de agosto de 2015

URUCUM (OSÙN ELÉDÈ)


QUENTE. 
Nomes Populares: Urucu, Açafroa, Açafroeira-da-terra.
Nomes Científicos: Bixa orellana L., BIXACEAE; Bixa americana Poir; Bixa urucurana Willd.
Orixá: Xangô.
Elementos: Fogo/feminino
Esquenta a casa, o trabalho, o amor. Faz aparecer os erros e o que está perdido e escondido.
Planta de origem brasileira, que ocorre em todo o território nacional, sendo com maior incidência em florestas pluviais do Norte e Nordeste.
As sementes do urucum produzem um corante vermelho (colorau), muito utilizado na culinária doméstica; porém, nos rituais de iniciação, este corante substitui o osùn africano, utilizado nos rituais de iniciação.
Sob forma de chá, suas sementes são utilizadas no combate às afecções cardíacas e das vias respiratórias, e externamente, em emplastro, na cicatrização de queimaduras.


SABUGUEIRO (ÀTÒRÌNÀ)


QUENTE. 
Nomes Científicos: Sambucus nigra – CAPRIFOLIACEAE; Sambucus australasica Fritsch.
Orixá: Obaluaiê
Elementos: Fogo/masculino.
Açoita verdadeiramente os inimigos e os afasta é uma “vara de fogo”. Ajuda na doença – boa sorte.
Planta que ocorre no Brasil, medrando, principalmente, nos Estados do Nordeste, Sudeste e Sul. Podendo ser encontrada por toda a Europa, sudoeste da Ásia e noroeste da África, o sabugueiro é resistente à poda, regenerando-se sempre, mesmo que cortada na base.
O sabugueiro é uma árvore espontânea, densa, ramificada, e sua altura pode chegar a até seis metros. Sua copa tem formato arredondado e suas flores, que possuem um perfume muito agradável, são muito brancas e pequenas, reunidas em corimbos, e devem ser colhidas na primavera. Elas têm em sua composição ácido cianídrico, glicósido, samburigina-amigdalina e benzaldeído. Seus ramos possuem uma medula branca, esponjosa e resinosa. Já suas bagas, são de cor negra ou violeta, apresentam formato arredondado e possuem em seu interior duas sementes ovais. Possuem vitamina A, B, C e D, tânico, óleo essencial, solina, resinas, hidratos de carbono, glicose, albumina, valeriânico e ácidos málico e tarárico, e devem ser colhidas no final do verão ou no outono, épocas em que atingem estado de maturação.

Suas folhas são empregadas nos rituais de iniciação, oferendas e banhos purificatórios dos filhos de Obaluaiê.
Na forma de chá, o sabugueiro é usado popularmente contra as afecções broncopulmonares. Excitante, sudorífico, febrífugo, combate resfriados, gripes, angina, hidropisia, inflamações da pele, furúnculos queimaduras e erisipela.

Partes usadas para fins medicinais

As folhas do sabugueiro são usadas, depois de amassadas, em queimaduras, pois ajudam a reprimir a dor. A tisana feita por meio das flores é utilizada contra gripes, anginas e constipações, e também é eficaz em casos de varíola, escarlatina, rubéola e sarampo. Já a tisana preparada a partir das raízes, cascas e folhas, é indicada em caso de reumatismo e tem efeito diurético.

A tisana pode ser preparada com uma caneca de água fervendo e uma colher de sopa de flores secas ou raízes, cascas e folhas. A mistura deve ser deixada em repouso por aproximadamente dez minutos, e consumida depois. A dose indicada é de uma xícara diária. O consumo em excesso pode causar problemas estomacais e vômitos.

Para o chá, coloque uma colher de sopa de flores secas do sabugueiro em uma xícara de água fervente e deixar por dez minutos. Coe e tome três xícaras de chá ao dia.

Um santo remédio

Eficaz no combate à tosse, espirros, catarro, dores dos molares, de cabeça, de ouvidos, nevralgias, inflamação da garganta e laringe, sintomas alérgicos e para limpeza de pele.

Seu alto teor de vitamina B nas bagas da planta permite sucesso quando usada para a cura de inflamações do sistema nervoso.

As folhas de sabugueiro são tóxicas e podem causar reações alérgicas quando usadas frescas. O uso correto para chá e outros remédios é a folha já seca. Grávidas e lactantes não devem fazer uso do sabugueiro.

TROMBETEIRA ROXA (ÈSÒ FELEJE)


FRIA.
Nomes Populares: Saia-roxa, Trombeta-roxa, Datura, Manto-de-cristo, Metel, Trombeteira, Trombeta-cheirosa, Cartucho-roxo, Zabumba-roxa, Nogueira-de-metel, Anágua-de-viúva.
Nomes Científicos: Datura metel L., Solanaceae; Datura arbórea, SOLANACEAE; Datura fastuosa Ness.; Datura carnucopaea Hort. Ex W.W.
Orixás: Exú, Ossaim e Oiá.
Elementos: Ar/feminino;
Homenageia e honra as mulheres, ancestralidade feminina, faz nascer filhos e netos.
Arbusto com mais de um metro de altura, que produz flores no formato de trombeta com cálice tubuloso róseo. Originário da Ásia e África, é encontrado no Brasil, com mais freqüência nas regiões nordeste e sudeste.
Utilizada em banhos, sempre misturada com outras folhas, a trombeta-roxa é também usada em trabalhos com Exú. É vedada aos adeptos a aproximação desta planta, que muitas vezes modificam seu caminho quando encontram este arbusto; por isso, apenas os sacerdotes mais qualificados podem coletá-la. Sob a forma de decocto é utilizada pelas mulheres iniciadas em lavagens para combater afecções vaginais.
Conhecida pelos africanos iorubás como apikán (Verger 12995:660), é utilizada em diversos trabalhos, a maioria com finalidades maléficas, tais como: "trabalho para enlouquecer alguém", "trabalho para envenenar alguém" e "trabalho para fazer alguém vomitar e ter diarréia" (Verger 1995:415,421,423).
Tratando-se de planta tóxica, seu uso medicinal é recomendado, de preferência externamente, em banho feito com o decocto das folhas, para combater o reumatismo. Detém princípios alucinógenos próprios das daturas; daí, alguns autores afirmarem que seu emprego necessita de cautela.